O Varejo em Transformação
No cenário atual do varejo, Getúlio Azevedo, fundador das Óticas Paris, se destaca como uma figura referência. Com mais de 45 anos de experiência, ele testemunhou e viveu as diversas mudanças que moldaram o comércio capixaba desde sua chegada ao Centro de Vitória no final da década de 1970. Em seu novo livro, intitulado “Foco no Propósito”, Azevedo compartilha suas vivências e a trajetória da marca que ajudou a construir.
O comércio na capital do Espírito Santo passou por transformações significativas. Azevedo relembra que suas primeiras experiências foram em uma pequena loja de 23 metros quadrados na Rua 13 de Maio, que se tornaria um dos pontos centrais do comércio capixaba. Na época, o Centro de Vitória ainda concentrava a maior parte das atividades comerciais, muito diferente do que vemos hoje.
A Evolução do Comércio Local
Ao refletir sobre as grandes mudanças no varejo, Azevedo menciona a migração do consumo. “O esvaziamento da área central não é um fenômeno exclusivo do Espírito Santo; é uma realidade que se observa em diversas cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Os shoppings passaram a ser os novos centros de compras”, afirma.
A primeira grande mudança que Azevedo vivenciou foi a abertura do Centro da Praia, onde a Óticas Paris foi uma das dez lojas inauguradas em 1982, durante a gestão do então governador Eurico Rezende. Com a chegada do Shopping Vitória, um novo padrão de consumo foi estabelecido, levando a um esvaziamento do comércio local, embora a área tenha conseguido se recuperar posteriormente.
Presença Física e Digital
Atualmente, as Óticas Paris mantêm lojas em diversas localizações, incluindo Jardim da Penha, Aleixo Netto e no Shopping da Terra, com planos de expansão para a Avenida Central em Laranjeiras e no bairro de Fátima. Azevedo discute a diferença entre lojas de rua e de shopping, destacando que as primeiras oferecem um atendimento mais abrangente, enquanto as segundas criam um ambiente mais selecionado.
Com relação ao e-commerce, Azevedo observa que a competição com grandes varejistas globais é intensa. “O e-commerce funciona como uma loja de rua, mas com a vantagem de termos marcas exclusivas, como a Zev, que começou nas Óticas Paris e já está em expansão online. Inicialmente, muitos clientes se preocupam com a credibilidade da empresa, mas com o tempo, isso se estabelece”, explica.
O Futuro das Lojas Físicas
A pergunta que fica no ar é se o e-commerce irá substituir as lojas físicas. Para Azevedo, a experiência do consumidor continua sendo um diferencial. “Acredito que a experiência de experimentar um produto é crucial, especialmente em um segmento como o de óculos, onde o cliente precisa verificar o ajuste e a estética”, afirma.
Com a mudança de comportamento dos consumidores, Azevedo vislumbra o futuro das lojas físicas com otimismo, enquanto enfatiza a importância de expandir para cidades do interior quando necessário. Ele destaca a importância do relacionamento no comércio capixaba e a necessidade de se manter um contato próximo com os clientes.
Decisões Cruciais e Legado
Um dos episódios marcantes da carreira de Azevedo foi a decisão de desfechar uma sociedade nos anos 90. Ele conta que, após consultar o Dr. Américo Buaiz Filho, decidiu abrir mão de tudo, exceto do nome Óticas Paris. “Manter a marca foi essencial para o meu recomeço em 1993, e essa decisão se provou acertada”, relembra com gratidão.
Sobre como trazer marcas globais para o Espírito Santo, ele afirma que a experiência adquirida ao trabalhar como representante de vendas foi crucial. Azevedo destacou a evolução do mercado global e a necessidade de adaptação por parte dos varejistas diante da infinidade de produtos disponíveis.
Atualmente, sua filha Ana Luiza assume funções importantes na empresa, e a transição tem sido gradual. “Ela está mais preparada do que eu estava na sua idade e isso é fundamental para o futuro da Óticas Paris”, afirma Azevedo, que se vê como um conselheiro.
Visão para o Futuro
Azevedo acredita que a continuidade do sucesso das Óticas Paris depende de preparação, equipe e confiança. Ele destaca ainda que a solidificação do negócio está nas mãos da nova geração e que seu legado deve ser pautado pela honestidade, correção e valorização do nome da marca. “Quando olho para trás, espero que as pessoas reconheçam a trajetória que construímos e a confiança que depositamos no nosso trabalho”, finaliza.
