Capacitação Inédita em Gestão de Emergências
No dia 27 de fevereiro, o Ministério da Saúde (MS) deu um passo significativo na qualificação de profissionais de saúde ao formar a primeira turma do Treinamento em Gestão de Emergências em Saúde Pública no Sistema Único de Saúde (TGESP-SUS). Este curso, que é inédito no Brasil, foi destinado a profissionais de nível superior selecionados pelas 27 unidades federativas do país.
O treinamento é uma estratégia essencial para aprimorar as habilidades daqueles que atuam na preparação, vigilância e resposta a emergências sanitárias. Coordenado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), o curso contou com a colaboração técnica do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, proporcionando uma formação robusta e alinhada com as melhores práticas internacionais.
Realizado presencialmente em Brasília (DF), o curso foi estruturado em dois módulos: um preparatório com 80 horas e um de aperfeiçoamento com 200 horas, totalizando sete semanas de aprendizado contínuo entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. As aulas tiveram a participação de especialistas do CDC, do MS e de instituições parceiras, apresentando conteúdo com tradução simultânea para melhor absorção dos participantes.
Profissionais Selecionados e Resultados Esperados
Essa primeira edição do treinamento foi voltada para profissionais indicados pelos gestores estaduais e distritais, incluindo representantes do Ministério da Saúde, como as Secretarias de Atenção Primária, Atenção Especializada e Saúde Indígena. Também participaram integrantes do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde e do Grupo Hospitalar Conceição. Os selecionados foram escolhidos por seu perfil estratégico e operacional, crucial para conduzir respostas a emergências em suas regiões.
O diretor do Departamento de Emergência em Saúde Pública do MS, Edenilo Barreira, destacou a importância da participação dos estados, ressaltando que “quem está aqui tem atuação relevante nas emergências em suas localidades”. Barreira também compartilhou os principais resultados esperados do treinamento, que incluem o fortalecimento das capacidades institucionais, a apresentação de modelos operacionais para resposta a crises e a formação de profissionais qualificados em todas as unidades da federação.
Multiplicadores de Conhecimento e Integração Nacional
A proposta central desse curso é que os participantes se tornem multiplicadores do conhecimento adquirido, promovendo maior coesão e coordenação entre os estados brasileiros. Isso visa reduzir as disparidades regionais na condução de respostas a emergências e fortalecer a atuação integrada do SUS frente a crises epidemiológicas, desastres relacionados às mudanças climáticas e situações de emergência humanitária.
Christhopher Brown, representante do CDC, enfatizou a importância da rede que os participantes formaram durante as sete semanas de curso. “Vocês agora têm as ferramentas para lidar com desafios emergenciais e uma rede de apoio para consultas em momentos de incerteza”, afirmou. O escritório regional do CDC no Brasil é um exemplo da solidez dessa parceria internacional.
Próximas Etapas para o Aprimoramento Contínuo
O Ministério da Saúde está projetando a continuidade da formação, com a intenção de alinhar constantemente as atividades com o CDC e incorporar novos conteúdos que não foram abordados nesta edição. Há também planos para estruturar um grupo de referências técnicas e realizar uma avaliação sistemática do curso, garantindo que as experiências dos participantes sejam levadas em consideração para melhorias futuras.
Com base em diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), o TGESP-SUS almeja promover uma atuação mais coordenada em todo o território nacional. Isso visa reduzir desigualdades regionais e fortalecer a capacidade do Brasil em enfrentar cenários críticos de forma mais eficiente e integrada.
O foco é desenvolver a atuação em nível subnacional, onde estados e municípios estão diretamente responsáveis por responder a emergências, enquanto o Ministério da Saúde fornece apoio técnico e coordenação nacional. A expectativa é que os profissionais formados atuem como disseminadores de conhecimento em seus territórios, ampliando a capacidade do SUS de lidar com diferentes tipos de emergências, desde epidemias até desastres naturais.
O conteúdo do curso abrangeu a aplicação do sistema de comando de incidentes, avaliação de riscos, coordenação de respostas e gestão integrada de crises. Também contemplou questões relacionadas a emergências epidemiológicas, desastres associados às mudanças climáticas e crises humanitárias que impactam a assistência à saúde.
