Aumento nas Letras de Crédito do Agronegócio
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) solidificam sua posição como a principal fonte de financiamento privado para o setor agropecuário brasileiro. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o estoque de LCAs alcançou R$ 589 bilhões em janeiro de 2026, apresentando um crescimento impressionante de 11% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Desse total, aproximadamente R$ 353 bilhões foram direcionados especificamente para o financiamento rural, marcando um expressivo aumento de 34% em relação a janeiro de 2025. Essa evolução ressalta a importância das LCAs como um dos pilares fundamentais do crédito privado destinado ao agronegócio.
Cédulas de Produto Rural Apresentam Desempenho Estável
As Cédulas de Produto Rural (CPRs), por sua vez, também mostraram um desempenho positivo durante o período analisado. O estoque total de CPRs chegou a R$ 560 bilhões em janeiro, refletindo um crescimento de 17% nos últimos 12 meses.
Na safra 2025/26, que abrange o período de julho de 2025 até janeiro de 2026, foram emitidos R$ 231 bilhões em CPRs. Embora esse valor seja significativo, representa uma diminuição de 5% em relação à safra anterior. Essa leve retração é vista como um ajuste natural do mercado, especialmente após os volumes recordes registrados em 2024. Apesar disso, as CPRs permanecem como uma das principais alternativas de financiamento para o agronegócio.
Certificados de Recebíveis do Agronegócio Crescem no Mercado
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) continuam a expandir sua participação no mercado financeiro, somando R$ 177 bilhões em estoque no início de 2026, representando um crescimento anual de 16%. Embora os volumes movimentados pelos CRAs sejam inferiores aos das LCAs e CPRs, esses certificados desempenham um papel estratégico ao conectar investidores institucionais e pessoas físicas com as cadeias produtivas do agronegócio, promovendo uma integração valiosa com o mercado de capitais.
Retração nos CDCAs e Espaço para os Fiagros
Por outro lado, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) enfrentaram uma retração significativa, com o estoque caindo 15% em 12 meses, totalizando R$ 31 bilhões. Esses títulos, que são emitidos exclusivamente por cooperativas agropecuárias e empresas do setor, visam financiar suas próprias operações. A diminuição no estoque é um reflexo da redução da necessidade de captação via CDCAs, visto que outras opções de financiamento têm se mostrado mais atrativas no mercado.
O boletim também destacou a retomada da divulgação dos dados sobre os Fiagros – Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio – após uma pausa de quase um ano. A interrupção, que ocorreu em março de 2025, foi motivada pela adaptação às novas regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desde sua criação em 2021, os Fiagros já acumulam um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuído em 256 fundos ativos. Esse desempenho indica um amadurecimento desse instrumento financeiro e seu papel crescente no financiamento privado do agronegócio no Brasil.
Diversificação no Sistema de Financiamento do Agronegócio
Com o crescimento das LCAs, CPRs e CRAs, o agronegócio brasileiro está se consolidando em um sistema de financiamento cada vez mais diversificado e interconectado com o mercado financeiro. A expectativa é que essa tendência de crescimento continue, complementando os créditos públicos e ampliando a capacidade de investimento do setor agrícola. A evolução do crédito privado no agronegócio é um indicador positivo para o futuro do setor, que continua a desempenhar um papel crucial na economia brasileira.
