Arte Urbana e Espiritualidade Se Encontram na Festa da Penha 2026
À medida que os fiéis subirem a ladeira rumo ao Convento da Penha durante a Festa da Penha 2026, que ocorrerá de 5 a 13 de abril, a arte urbana se tornará um importante elemento de inspiração. Quatro artistas capixabas se uniram para embelezar o percurso com suas obras, cada uma trazendo uma mensagem única e significativa. Fred Farias, um artista visual profundamente ligado à cultura Hip Hop, expressa em suas criações a alegria da fé e a defesa dos direitos humanos. Ao seu lado, Anderson Moska, um grafiteiro com mais de 20 anos de experiência e passagens por diversos países, utiliza a arte urbana como um meio de diálogo espiritual. Alexandra Baum, conhecida como Alex, traz à tona a essência feminina, a maternidade e a conexão com a natureza em suas obras. Por fim, Cláudio Tripa, cuja relação com o Convento é de devoção e tradição, compartilhará sua visão do local através de suas pinturas. Juntos, eles irão materializar o tema da festa deste ano: “Fazei de nós instrumentos da paz”.
Com a intervenção artística, a Festa da Penha não só celebra a espiritualidade, mas também destaca a força da expressão artística como um facilitador de diálogo e reflexão. Durante a subida ao Convento, os visitantes poderão apreciar os murais que capturam a essência de cada artista, tornando a experiência de fé ainda mais rica.
O artista Fred Farias, que também é estudante de Serviço Social, encontrou na cultura Hip Hop a sua voz. Em sua obra, ele não apenas pinta, mas carrega consigo a luta pelos direitos humanos e a força das tradições capixabas. Nascido em um ambiente de manifestações culturais e religiosas, como a romaria dos conguistas, Fred traduz sua memória afetiva em arte. Em seu mural, a fé se apresenta com leveza, quase como um sorriso. Ele planeja retratar a imagem do Papa Francisco, que nos deixou em 2025, e incluir a frase inspiradora: “Concede-me a graça de compreender os sorrisos, para que conheça na vida um pouco de alegria”.
Por outro lado, Anderson Moska traz a experiência de sua trajetória internacional, tendo levado sua arte para países como Uruguai, Argentina, Chile, México e Senegal. Para ele, a oportunidade de pintar no Convento é mais do que um trabalho, é uma honra. Sua obra irá representar São Francisco de Assis cercado por pássaros, simbolizando conceitos de paz, amor à natureza e simplicidade — uma bela união entre arte urbana e devoção.
Alexandra Baum, por sua vez, é uma artista autodidata que começou a desenhar na infância. Em seu mural, ela expressa o amor maternal como uma extensão da fé, retratando em seu trabalho o Convento da Penha, Nossa Senhora com o Menino Jesus e mãos em oração, tudo isso intercalado por pássaros que trazem leveza e espiritualidade ao cenário. Alex acredita que a Festa da Penha carrega uma mensagem vital: a paz deve ser uma prática cotidiana, que transcende crenças e se fundamenta no respeito mútuo.
Cláudio Tripa, que começou sua carreira pintando pranchas de surf, tem uma ligação profunda com o Convento, frequentando o local quase diariamente. Ele expressará sua fé em sua obra, retratando São Francisco, a cruz e animais, junto à frase emblemática: “Senhor, fazei-me instrumento de Vossa paz”. Para Tripa, a arte é uma extensão de sua devoção e um meio de contar sua própria história.
Além dos murais individuais, os artistas se unirão para criar uma obra coletiva, reforçando o tema da construção conjunta da paz, que é o cerne da festa deste ano. “A presença desses artistas transforma a subida ao Convento em uma experiência mais rica. A arte tem o poder de tocar as pessoas, fazendo com que cada um viva esse percurso de forma mais profunda. É um encontro entre fé, cultura e vida”, destaca Frei Gabriel Dellandrea, guardião do Convento.
A Festa da Penha, considerada a terceira maior celebração mariana do Brasil, reúne milhares de fiéis ao longo de nove dias, contando com uma intensa programação que inclui mais de 50 missas e 14 romarias. Essa festa, que honra Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo, é uma ocasião especial que promove um grande intercâmbio de fé, cultura e devoção entre os participantes.
Até a próxima edição, em 2027, aqueles que subirem ao Convento não encontrarão somente um muro pintado, mas também histórias que refletem a fé, a memória e o pertencimento da comunidade capixaba. Ao longo do caminho, é possível que os visitantes se vejam também refletidos nas cores que agora fazem parte desse percurso sagrado.
Essa festa é promovida pela Mitra Arquidiocesana de Vitória, pelo Convento da Penha e pela Associação dos Amigos das Obras Franciscanas, e conta com o patrocínio de diversas empresas e instituições que apoiam a cultura capixaba e a arte local.
