Exposição Olhares Indígenas na Casa da Memória
A animação cultural de Vila Velha ganha um novo capítulo com a abertura da exposição “Olhares Indígenas”, marcada para o dia 12 de maio na Casa da Memória, situada na Prainha. Este evento é uma parte integrante das celebrações pelos 491 anos da cidade e promete trazer à tona releituras da história local sob a ótica dos povos originários, permanecendo em exibição até 12 de agosto de 2026.
Para a composição dessa mostra impactante, um concurso de artes foi realizado, resultando na seleção de dois artistas notáveis da etnia guarani de Aracruz. O pintor e escultor Claudiomiro Vaz e a artesã escultora Sônia Martine foram os grandes vencedores, cada um recebendo uma bolsa de participação no valor de R$ 2.500.
A proposta da exposição visa unir produções artísticas que retratem a perspectiva dos povos indígenas acerca da chegada dos portugueses ao território capixaba. Este evento é especialmente significativo para a Prainha, um local que carrega a memória desse episódio histórico.
A organizadora da exposição e artista guarani, Ara Martins, enfatiza a importância da participação indígena no evento. “A nossa presença na mostra é um passo para ampliar a circulação das produções culturais das aldeias, além de fortalecer o reconhecimento da nossa arte nos contextos urbanos”, disse ela. Ara destacou ainda que, para o povo guarani, vencer o edital do IHGVV representa a oportunidade de levar sua arte para a cidade. “Nossa criação utiliza 90% dos materiais retirados das matas e representa a visão dos povos que habitavam essa terra antes da chegada dos colonizadores”, completou.
Releituras e o Olhar Indígena sobre a História Local
A exposição também apresenta uma releitura do famoso painel “A Chegada”, do artista capixaba Rodolpho Valdetaro, que atualmente pode ser visto na Casa da Memória. Este trabalho, agora revisitado, proporciona uma nova perspectiva sobre a cena histórica que retrata a colonização, incorporando a visão dos povos originários que existiam no território antes da chegada dos europeus.
O secretário municipal de Cultura, Roberto Patrício Junior, destacou que iniciativas como essa são essenciais para enriquecer o debate sobre a memória histórica. “Ao incluir diferentes narrativas, reforçamos a importância social da cultura na formação da identidade local”, ressaltou ele, evidenciando o papel da arte na construção de uma sociedade mais inclusiva.
Esse projeto é uma realização do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV) e conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Funcultura e da Secretaria da Cultura do Espírito Santo, além do suporte da Prefeitura de Vila Velha. Essa parceria demonstra o compromisso com a valorização da cultura local, promovendo a integração entre as tradições indígenas e a história da região.
