Desempenho das Exportações de Café Solúvel
O Espírito Santo manteve uma impressionante marca de US$ 120 milhões em exportações de café solúvel em 2025. Os dados mais recentes, fornecidos pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), revelam que os maiores compradores do café solúvel produzido no estado foram a Indonésia, que importou 165,3 mil sacas, e os Estados Unidos, com 146,2 mil sacas. Os números mostram ainda que Argentina e Turquia também figuram na lista, com 27,2 mil e 17,8 mil sacas, respectivamente.
No contexto nacional, o Brasil exportou um total de 3,867 milhões de sacas de café solúvel neste ano, o que representa uma queda de 10,6% em relação a 2024, quando as exportações atingiram 4,126 milhões de sacas. Para os Estados Unidos, o principal mercado do café solúvel brasileiro, a retração foi ainda mais significativa, com um recuo de 29% nas exportações capixabas. Em 2025, o volume enviado ao país foi de 146,2 mil sacas, comparado a 205,8 mil sacas em 2024.
Impacto do Tarifaço nos Embarques
Jorge Nicchio, vice-presidente do CCCV, aponta que a implementação de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos teve um papel crucial na queda do volume exportado. “O ponto mais negativo foi o volume. Apesar do preço médio em 2025 ter sido superior ao do ano anterior, a quantidade embarcada sofreu uma significativa redução, especialmente para o mercado americano, que continua a aplicar essa alta taxação sobre nosso café solúvel”, explicou.
Ele ainda destacou que, mesmo com a diminuição das sacas exportadas, a receita gerada continua entre as mais expressivas da história. Isso ressalta a valorização do café, mesmo diante da queda na quantidade exportada. O Espírito Santo conta com três importantes indústrias de café solúvel: OFI (anteriormente Olam), Café Cacique – que foi adquirida pela Louis Dreyfus Company em 2024 – e Realcafé. Enquanto as unidades da OFI e Cacique estão situadas em Linhares, no norte do estado, a Realcafé opera em Viana, na região metropolitana de Vitória.
Desafios Logísticos e Soluções Futuras
Esses investimentos têm consolidado o Espírito Santo como um polo relevante na produção de café solúvel no Brasil. Entretanto, uma parte considerável da produção ainda é exportada através de portos de outros estados, o que acarreta em perda de competitividade. Nicchio explica: “Temos potencial para exportar, no mínimo, 1 milhão de sacas de café solúvel anualmente. O problema é que grande parte do café produzido aqui precisa ser transbordado em portos como o do Rio de Janeiro e Santos, o que encarece a operação e prolonga o tempo de transporte.”
A falta de rotas diretas a partir do Espírito Santo faz com que os exportadores optem por portos de outros estados, onde o transporte é mais eficiente. “Quando o café é enviado de Santos ou do Rio, ele vai direto para o destino final. A partir de Vitória, muitas vezes é necessário trocar de navio, o que gera custos adicionais e diminui a competitividade”, observa Nicchio.
Porto da Imetame: Uma Nova Esperança
Uma das iniciativas que pode transformar essa realidade é o Porto da Imetame, em Aracruz, que está na fase final de suas obras. Em janeiro, o CCCV e o Grupo Imetame assinaram um acordo de cooperação para facilitar a exportação de café pelo novo porto. O entendimento firmado indica que a estrutura em construção terá capacidade adequada para atender à demanda das exportações de café brasileiro, apresentando-se como uma nova alternativa logística para o setor.
Nicchio destaca que a expectativa é que o novo porto represente um marco para o estado. “Hoje, o Espírito Santo enfrenta desafios de competitividade logística. Contudo, o Porto da Imetame pode ser a solução que estávamos esperando. A previsão é que, a partir de 2027, com a operação plena do porto, esse quadro comece a se reverter”, avalia.
A cafeicultura no Espírito Santo tem uma forte vocação para exportação. O estado é o líder nacional na produção de café conilon, abriga importantes indústrias de café solúvel e também cultiva café arábica. Apesar disso, as dificuldades históricas para exportar diretamente por seus próprios portos persistem. A falta de rotas marítimas a partir de Vitória eleva os custos, estende o tempo de trânsito e compromete a competitividade do café capixaba no mercado internacional.
