Um panorama financeiro promissor
O Espírito Santo se consolida como o estado que mais investe no Brasil, alocando cerca de 20% de sua receita anual em áreas essenciais como educação e saúde. Esse índice é o dobro do que é aplicado por São Paulo, demonstrando um compromisso significativo com o bem-estar social. No entanto, o governo do estado enfrenta desafios, como a queda na arrecadação do ICMS, as implicações da reforma tributária e os efeitos da guerra no Oriente Médio, que podem impactar suas finanças nos próximos meses.
Essas informações foram apresentadas pelo secretário de Estado da Fazenda, Benicio Costa, durante uma audiência pública realizada na última segunda-feira (23), promovida pela Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa (Ales) no Plenário Dirceu Cardoso. O objetivo do encontro foi prestar contas sobre o desempenho financeiro do governo referente ao terceiro quadrimestre de 2025.
Responsabilidade e transparência na gestão fiscal
O presidente da Comissão de Finanças, deputado Mazinho dos Anjos (MDB), elogiou a organização das contas públicas, enfatizando a importância da responsabilidade na gestão dos recursos e a necessidade de honrar os compromissos com os cidadãos e servidores. “Esse trabalho sério permite que o Estado pague seus servidores em dia e mantenha a capacidade de investimento”, destacou Mazinho.
Benicio Costa, por sua vez, destacou os resultados de uma gestão fiscal positiva. Ele afirmou que a saúde financeira do Espírito Santo é um reflexo de uma boa administração. “Estamos construindo um diferencial para o Brasil com nossa política e gestão fiscal eficiente”, comentou.
Crescimento nas receitas e despesas
Os números apresentados pelo secretário evidenciam um crescimento robusto. Em 2025, as receitas correntes aumentaram 7%, subindo de R$ 37,8 bilhões em 2024 para R$ 40 bilhões. Esse crescimento é impulsionado principalmente pela arrecadação tributária e pelo ICMS, que são fundamentais para a saúde financeira do estado.
A receita total líquida também teve um avanço, aumentando 9,4%, o que representa um acréscimo de R$ 2,7 bilhões em relação ao ano anterior. Este incremento foi beneficiado pelo desempenho do setor cafeeiro e pelo recebimento de royalties do petróleo, que somaram R$ 1,35 bilhão.
Em relação às despesas, o gasto com pessoal cresceu 9,3%, passando de R$ 12 bilhões em 2024 para R$ 13,1 bilhões em 2025. De modo geral, as despesas totais do Estado aumentaram de R$ 26,4 bilhões para R$ 29,3 bilhões, representando uma elevação de 10,7%.
Investimentos em infraestrutura e desenvolvimento
Benicio Costa ressaltou que o Espírito Santo possui a maior capacidade de poupança do país, o que permite investir significativamente em infraestrutura. Em 2025, os investimentos cresceram 18% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 5,1 bilhões, o que marca um recorde histórico para o estado. “Estamos investindo mais do que nunca, e isso é um sinal de que temos um futuro promissor”, afirmou.
Os dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) mostram que o Espírito Santo destina 20% de sua receita a investimentos, enquanto São Paulo, o estado mais rico do Brasil, destina apenas 10%. O Maranhão, Goiás e Mato Grosso ficam atrás, com percentuais de 16% e 15% respectivamente.
Com relação à dívida consolidada do Estado, o percentual é de -53%, indicando que a capacidade de pagamento não compromete o orçamento, ao contrário de outros estados que já superaram o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Desafios e questões em pauta
O deputado Coronel Weliton (PRD) levantou preocupações sobre o impacto do aumento salarial para os servidores militares, especialmente aqueles da reserva que retornam ao serviço ativo. Ele questionou a diferença de tempo entre o anúncio do reajuste e sua efetivação. O secretário Benicio Costa argumentou a importância de uma análise cuidadosa do contexto econômico, incluindo a desoneração do ICMS e as reformas em andamento.
Perspectivas futuras
Ao ser questionado sobre as medidas que serão adotadas para garantir a continuidade dos investimentos em face das incertezas econômicas, Benicio Costa se mostrou otimista. Ele ressaltou que o Espírito Santo conta com a menor alíquota do ICMS no Brasil, o que proporciona estabilidade fiscal em tempos de crise. “Estamos preparados para enfrentar os desafios que vêm pela frente, pois já superamos momentos difíceis no passado”, concluiu. Além do secretário e dos deputados, também participaram da audiência o subsecretário de Tesouro Estadual, Daniel Correia, o subsecretário da Receita, Thiago Venâncio, e a defensora pública Maria Gabriela Agapito.
