Crescimento Sustentável no Emprego Agropecuário
O agronegócio brasileiro se destaca como um dos pilares do mercado de trabalho nacional, com aproximadamente 7,72 milhões de pessoas atuando em setores como agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Isso representa cerca de 7,6% dos 102,14 milhões de trabalhadores no país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obtidos por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Além de um volume expressivo de ocupação, o agronegócio mantém seu protagonismo na criação de novas vagas formais. No início de 2026, o Brasil registrou a criação de 112,3 mil empregos com carteira assinada, sendo que aproximadamente 20% desse total, cerca de 23 mil novas vagas, vieram do setor agro.
Esse desempenho reflete o ritmo das atividades no campo, particularmente durante os períodos de colheita e manejo das principais culturas. O setor agropecuário observou um crescimento de 78,6% nas contratações em comparação a dezembro do ano anterior, somando 113,4 mil admissões, enquanto os desligamentos diminuíram 16,2%, reforçando assim o saldo positivo no emprego.
Desse modo, o estoque de empregos formais na agropecuária alcançou 1,86 milhão de trabalhadores no início do ano, consolidando o setor como um dos mais dinâmicos na geração de oportunidades, mesmo diante de um cenário econômico repleto de incertezas.
O Papel Estratégico dos Safristas
Os dados ressaltam a importância estrutural do agronegócio na economia e ajudam a explicar a contínua busca por mão de obra, especialmente nos períodos de pico durante as safras. Neste contexto, a discussão sobre os safristas — trabalhadores temporários fundamentais para a colheita — torna-se ainda mais relevante.
Culturas como café, uva e grãos em regiões específicas dependem diretamente da contratação de safristas. Em diversas situações, a disponibilidade de mão de obra pode influenciar o ritmo da colheita e, consequentemente, os resultados da produção.
Recentemente, o tema ganhou destaque no Congresso Nacional, com uma articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária visando facilitar a formalização da contratação desses trabalhadores. A proposta principal é que os safristas possam ser contratados com carteira assinada durante a colheita sem perder direitos sociais, como o Bolsa Família.
Essa medida pretende solucionar um problema recorrente no campo: a dificuldade em atrair trabalhadores para contratos temporários formais. Ao garantir a manutenção dos benefícios sociais, a expectativa é que a oferta de mão de obra aumente nos momentos mais críticos da atividade agrícola.
Outro ponto importante em discussão é a simplificação das regras de contratação, com ajustes no sistema eletrônico de registro para reduzir a burocracia. O objetivo é proporcionar mais agilidade aos produtores sem comprometer a formalização e as garantias trabalhistas.
Previsibilidade e Eficiência no Campo
A implementação dessas medidas pode proporcionar maior previsibilidade na formação de equipes durante a safra. Em um ambiente onde operações cada vez mais ajustadas dependem do timing, a falta de mão de obra na hora da colheita pode resultar em perdas significativas de produtividade e qualidade.
Conforme Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), os dados da PNAD destacam que o emprego no setor agro não apenas é relevante em termos de volume, mas também apresenta características específicas ligadas ao calendário produtivo.
“Os dados evidenciam a força do agronegócio na geração de empregos, mas também enfatizam uma característica peculiar do setor: a demanda por mão de obra se concentra em momentos determinados. É nesses períodos que o trabalho dos safristas se torna estratégico. Sem esses profissionais, o produtor não consegue realizar a colheita no tempo certo”, observou Rezende.
“Quando você cria condições para que os safristas trabalhem formalmente sem perder os benefícios sociais, está resolvendo dois problemas simultaneamente: oferece segurança ao trabalhador e garante a mão de obra necessária para o campo. Isso proporciona previsibilidade ao produtor, que hoje enfrenta incertezas sobre a disponibilidade de equipe adequada na hora certa”, acrescentou.
Isan Rezende ressaltou ainda que “o agronegócio brasileiro opera em escala e com janelas cada vez mais curtas. Não podemos mais depender de soluções improvisadas. A profissionalização da contratação, especialmente no trabalho temporário, é um passo fundamental para aumentar a eficiência no campo e evitar perdas que impactam diretamente a produtividade e a renda do produtor”.
“Nesse cenário, os safristas se consolidam como peças-chave para o funcionamento da cadeia produtiva. O avanço nas regras de contratação tende a diminuir gargalos históricos e promover uma operação mais eficiente no campo”, finalizou Rezende.
