Crescimento do Agronegócio e Impactos no Emprego
O agronegócio brasileiro se destaca como um pilar fundamental da economia, evidenciado pelo aumento significativo na produção e nas exportações. No entanto, há um aspecto que merece atenção: o mercado de trabalho dentro desse setor vital. De acordo com dados analisados pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, entre 2016 e 2023, o número de empregos no agronegócio caiu de 14,34 milhões para 13,78 milhões, representando uma redução de 3,9%. Essa diminuição contrasta com o crescimento consistente do volume de produção agrícola, que passou de 166 milhões de toneladas de grãos em 2012 para impressionantes 322 milhões de toneladas em 2022.
A economia brasileira enfrentou desafios significativos na última década, com um crescimento do PIB de apenas 0,4% ao ano. Em contrapartida, o agronegócio se manteve resiliente, demonstrando que, sem o seu desempenho robusto, o Brasil teria registrado uma estagnação ainda mais severa em termos de crescimento econômico. Apesar disso, a recuperação das perdas de empregos não acompanhou o aumento da produção, resultando em uma contradição intrigante.
Desemprego e Setores em Transformação
Dentro do agronegócio, a agropecuária foi a mais afetada, com uma perda de 889,2 mil postos de trabalho, o que equivale a uma queda de 9,6%. A agricultura registrou uma redução de 583 mil vagas e a pecuária 306 mil. No entanto, a agroindústria se destacou positivamente, criando 331 mil novos postos, um crescimento de 6,5%, especialmente na área de alimentos e bebidas.
Como resultado, a perda líquida no agronegócio foi de 558 mil empregos. Esse fenômeno levanta questões sobre as características da mão de obra nesse setor. A análise da FGV revela que, embora a quantidade de empregos tenha diminuído, a qualidade das vagas oferecidas apresentou melhoras significativas. Durante o período em análise, houve uma queda de 10,3% nos postos informais, que totalizaram cerca de 924,3 mil, enquanto os empregos formais cresceram em 6,8%, com 366,3 mil novas vagas.
Remuneração e Sustentabilidade no Setor
Outro aspecto importante a ser destacado é o aumento da remuneração média no agronegócio, que teve um crescimento de 12,6% entre 2016 e 2023, passando de R$ 1.793,69 para R$ 2.018,99. Em comparação, a remuneração média no Brasil como um todo cresceu apenas 4,3% no mesmo período. Essa valorização salarial pode ser um indicativo da crescente valorização do trabalho no setor, que passa a incorporar práticas mais sustentáveis e tecnologias avançadas.
Frente a um cenário global em que a sustentabilidade se torna cada vez mais necessária, o agronegócio brasileiro está adotando conceitos como ESG (Environmental, Social and Governance), focando na produção sustentável e na responsabilidade social. Essa mudança não apenas atende à demanda do mercado internacional, mas também reflete um compromisso com a qualidade de vida dos trabalhadores, melhorias nas condições de trabalho e na capacitação profissional.
O Futuro do Agronegócio e da Mão de Obra
Com o avanço da agricultura 4.0, que inclui automação, digitalização e robotização, o ambiente de trabalho no agronegócio tende a se transformar, oferecendo melhores condições e remuneração aos colaboradores. O desafio que resta é equilibrar o crescimento da produção com a geração de empregos, garantindo que todos os avanços tecnológicos sejam utilizados para beneficiar não apenas a economia, mas também a força de trabalho que sustenta esse setor tão vital.
Nessa linha de raciocínio, especialistas como Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa, destacam a importância de manter um olhar atento às transformações do agronegócio, sempre buscando um equilíbrio entre eficiência, sustentabilidade e inclusão social.
