Uma Grande Transformação na Infraestrutura do Espírito Santo
A duplicação da BR 262 está prestes a se tornar uma das maiores obras de engenharia já realizadas no Espírito Santo. O projeto, elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), revela as dimensões ambiciosas do empreendimento: serão 50 viadutos, 28 pontes, 4 túneis, 6 passarelas e uma extensa rede de 40 quilômetros de ciclovias. O objetivo é criar uma rodovia que rivalize com a Rodovia dos Imigrantes em São Paulo, atravessando o terreno montanhoso do estado.
Nos últimos anos, tanto o governo federal quanto o estadual tentaram diversas vezes lançar a licitação para a duplicação da BR 262, em um modelo de concessão semelhante ao da BR 101, onde os motoristas pagam pedágio e os recursos arrecadados são aplicados em melhorias na estrada. No entanto, todas essas tentativas resultaram em licitações desertas, devido à percepção de que o projeto era excessivamente caro e complexo para atrair concessionárias. Como resultado, a decisão do governo federal foi assumir a responsabilidade pela execução da duplicação, utilizando recursos públicos e planejando uma possível concessão futura.
A licitação principal, que abrange o trecho mais desafiador da rodovia, localizado na Região Serrana, está prevista para ser lançada no segundo semestre de 2026. Essa fase inicial será realizada com base em critérios de técnica e preço. Em abril de 2026, também está planejada a licitação para a supervisão da obra e o cadastramento cartorial. Já a segunda fase, que se estende até a divisa com Minas Gerais, deverá ser contratada sob um regime de concessão, dada sua maior viabilidade de execução.
Dificuldades Técnicas e Investimentos Significativos
O maior projeto de infraestrutura já realizado no Espírito Santo até o momento foi o Contorno do Mestre Álvaro, que enfrentou desafios geológicos significativos. Para superar essas dificuldades, os engenheiros utilizaram pilares de concreto com profundidade de até 50 metros, o que equivale a um edifício de 16 andares. O contorno levou quatro anos para ser finalizado e custou R$ 456 milhões, com o apoio da bancada federal do estado para assegurar emendas que possibilitaram a conclusão das obras.
Contudo, a duplicação da BR 262 promete ser um projeto de proporções muito maiores em comparação ao contorno, tanto em extensão quanto em custo. Com 180,6 quilômetros de vias, o orçamento estimado para essa obra é de R$ 8,6 bilhões, um valor 15 vezes maior que o investimento realizado na construção do contorno. O Dnit confirmou que o projeto incluirá:
- 50 viadutos e passagens inferiores
- 28 pontes
- 6 passarelas exclusivas
- 4 túneis com um total de 2 km
- 176,8 mil m² de obras de arte especiais
- 31 interseções em desnível
- 24 retornos operacionais
- 22,6 km urbanizados
- 40 km de ciclovias
Divisão do Projeto em Fases e Detalhes dos Lotes
O projeto de duplicação da BR 262 foi cuidadosamente dividido em duas fases, que totalizam cinco lotes. O primeiro lote abrange a Região Serrana, considerado o trecho mais desafiador devido à presença de muitas curvas, estendendo-se até o entroncamento da ES 484 em Conceição do Castelo. A segunda fase avança até a divisa com Minas Gerais, na localidade de Pequiá.
Do total estimado de R$ 8,6 bilhões, o governo do Estado se comprometeu a destinar R$ 2,3 bilhões oriundos do acordo de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem de Mariana (MG) em 2015, para a primeira fase da obra. Os detalhes dos lotes são os seguintes:
- Lote 1: do km 15,9 (Entroncamento BR 101) ao km 50,8 (Término da Variante da Boa Vista, incluindo restauração da pista existente). Extensão: 34,9 km + 28,8 km (restauração). Custo: R$ 3.004.524.278,03.
- Lote 2: do km 50,8 (Término da Variante da Boa Vista) ao km 86,9 (Entroncamento ES 368 Domingos Martins). Extensão: 36,1 km. Custo: R$ 1.050.861.500,57.
- Lote 3: do km 86,9 (Entroncamento ES 368 Domingos Martins) ao km 120,9 (Entroncamento ES 484). Extensão: 34,0 km. Custo: R$ 1.986.269.969,23.
- Lote 4: do km 120,9 (Entroncamento ES 484) ao km 157,0 (Próximo à travessia urbana de Ibatiba). Extensão: 36,1 km. Custo: R$ 1.563.149.981,96.
- Lote 5: do Km 157,0 (Próximo à Travessia Urbana de Ibatiba) ao Km 196,0 (Início da ponte sobre o Rio José Preto). Extensão: 39,0 km. Custo: R$ 1.021.816.445,15.
Além desses detalhes, a duplicação da BR 262 promete transformar significativamente a infraestrutura do Espírito Santo, facilitando o transporte e contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.
