Tensão interna na Cedae
A situação política na Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) tem se tornado cada vez mais tensa, revelando um embate interno entre aliados de figuras como o governador Cláudio Castro, o deputado estadual Felipe Bacellar e o conselheiro Jair Pampolha. Recentemente, Pampolha, que ocupa uma posição de destaque no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), foi responsável por impor suas escolhas na empresa ao nomear os diretores de Saneamento, José Ricardo Brito, e de Sustentabilidade, Philipe Campello, ambos ex-assessores do conselheiro. Por sua vez, Bacellar, apesar de ter enfrentado uma operação da Polícia Federal, permanece com um aliado no cargo de diretor jurídico: Diogo Mentor, que atuou como advogado durante a campanha eleitoral de 2022. Esses novos diretores têm se deparado com conflitos diretos com o presidente da Cedae, Aguinaldo Ballon, que foi chefe de gabinete de Nicola, e com o diretor financeiro, Antônio Carlos dos Santos, próximo de Castro.
A primeira divergência relevante ocorreu em outubro do ano passado. Naquele mês, a Cedae, sob pressão do governo estadual, decidiu assumir uma dívida de R$ 946 milhões com a concessionária Águas do Rio. A dívida surgiu devido a alegações de inconsistência na cobertura de esgoto em vários municípios que passaram por privatização em 2021. Três dias após a decisão da diretoria, Diogo Mentor emitiu um parecer jurídico que questionava a escolha da Cedae de assumir essa dívida, argumentando que não havia uma norma que obrigasse a companhia a tal compromisso, uma vez que a Cedae não era a responsável pelos dados que justificaram a concessão.
