Conselho de Segurança da ONU Debate Crise na Venezuela
O governo brasileiro manifestará sua posição sobre a situação política na Venezuela durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, programada para a próxima segunda-feira, dia 5. Conforme apurado pela CNN, o embaixador Sergio Danese, representante brasileiro na organização, reforçará a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No último sábado, Lula denunciou o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, classificando-o como uma “afronta gravíssima” e uma violação inaceitável da soberania do país sul-americano.
A convocação da reunião foi feita pela Colômbia, em resposta à ação militar dos EUA que resultou na captura do controverso líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O Conselho de Segurança, composto por cinco membros permanentes – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – e outros dez membros eleitos para mandatos de dois anos, se reunirá pela terceira vez para discutir essa crise. Embora o Brasil não faça parte do grupo atualmente, sua participação como país não-membro é permitida nas reuniões, onde pode solicitar a palavra, embora sem direito a voto.
Ação Militar dos EUA na Venezuela
A operação que culminou com a captura de Nicolás Maduro começou por volta das 3 horas da manhã (horário de Brasília) do último sábado, e foi marcada por explosões e fumaça visíveis em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, durante aproximadamente 90 minutos. Tropas da Força Delta, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos, foram responsáveis pela missão, que levou Maduro e sua esposa a serem transportados de helicóptero até o navio militar USS Iwo Jima, que estava ancorado no Caribe. Algumas horas depois, por volta das 18h40 (horário de Brasília), o ex-presidente venezuelano chegou aos Estados Unidos sob custódia federal, algemado e vestido com roupas comuns.
Maduro permanece detido no Centro de Detenção Metropolitano, localizado no Brooklyn, conhecido por acolher outros prisioneiros de destaque em casos federais. Ele fará sua primeira aparição em tribunal em Nova York nesta segunda-feira, às 14h (horário de Brasília). De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o ex-presidente e seus aliados são acusados de transformar instituições venezuelanas em um esquema de corrupção vinculado ao narcotráfico.
Reações e Colaboração Internacional
Em um pronunciamento oficial, o ex-presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela imediatamente após a captura de Maduro, intensificando ainda mais a crise política na região. Na mesma linha, neste domingo, o Brasil, em conjunto com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, expressou a necessidade de uma solução para a crise sem a chamada “ingerência externa”. A declaração, feita poucas horas antes da reunião da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), também manifestou preocupação com tentativas de controle governamental na Venezuela.
A reunião da Celac, realizada de forma virtual e a portas fechadas, não resultou em um posicionamento público, evidenciando a divergência política entre os países membros quanto à situação venezuelana. Criada em 2010 no México, a Celac reúne 33 nações da América Latina e do Caribe, com o objetivo de promover a integração regional e coordenar esforços políticos, econômicos e sociais entre os países participantes.
