Movimento de Desfiliação e Reações no União Brasil
O União Brasil no Espírito Santo está atenta às movimentações políticas, especialmente após a desfiliação de Felipe Rigoni, anunciada recentemente. A assessoria do partido, liderada pelo deputado estadual Marcelo Santos, divulgou uma nota expressando descontentamento com a decisão: “A política é construída a partir de sinais, gestos e, sobretudo, do compromisso coletivo com projetos maiores. A decisão não foi bem recebida nas fileiras do União Brasil nem no âmbito da Federação”. Essa declaração revela como o afastamento de Rigoni impacta o cenário político local.
Ao oficializar seu retorno ao PSB — partido que o elegeu deputado federal em 2018 — Rigoni afirmou que sua decisão resultou de diálogos intensos e de um compromisso com a lealdade política. “Meu retorno ao PSB é fruto de muito diálogo e de lealdade política. Sigo motivado para continuar ajudando a construir um Espírito Santo cada vez melhor para todos os capixabas”, declarou.
Consequências para a Chapa Federal
Embora a saída de Rigoni não tenha sido uma surpresa total, sua presença era considerada crucial na composição da chapa federal da federação formada pelo União Brasil e o PP, a União Progressista. Atualmente, os principais candidatos da chapa são os deputados Evair de Melo (PP) e Da Vitória, que preside tanto o PP quanto a federação, além de Marcelo Santos, que também ocupa a presidência da Assembleia Legislativa.
Na política, estima-se que um partido ou federação precise atrair cerca de 360 mil votos para conquistar três cadeiras na Câmara Federal. Em 2022, Da Vitória obteve 71.779 votos, Evair, 75.034, e Marcelo Santos, reeleito na Assembleia, angariou 41.627 votos. Rigoni, embora não tenha se reeleito, conquistou 63.362 votos. A perda de Rigoni representa uma diminuição significativa no número de votos, que pode afetar o desempenho geral da federação nas próximas eleições.
Um Recado ao Governo do Estado
A nota divulgada pelo União Brasil foi interpretada como um alerta para o governo do Estado, destacando as novas dinâmicas de alianças políticas que estão se formando em vista das eleições. A União Progressista atualmente se encontra dividida entre as bases do governador Renato Casagrande (PSB) e do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que representam grupos rivais que se enfrentarão nas eleições de outubro.
Ainda sem uma definição clara sobre sua posição, a federação está avaliando critérios para determinar sua aliança. Em declarações à coluna De Olho no Poder, Marcelo Santos mencionou que a direção que a federação tomará dependerá da colaboração na formação da chapa federal. “A colaboração é uma ação importante para se efetivar a parceria com a federação”, ressaltou, acrescentando que essa colaboração inclui a indicação de candidatos para a chapa.
Desafios nas Relações Partidárias
O União Brasil busca do governo um apoio semelhante ao que foi oferecido ao Podemos, que incorporou membros da equipe do governador, incluindo dois deputados estaduais da base. Entretanto, a escolha de Rigoni por se filiar ao PSB foi vista como uma jogada que poderia enfraquecer a federação.
Em um momento crítico em que o governo precisa unir forças — especialmente considerando a tensão com o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB) — a opção de Rigoni parece contradizer a necessidade de fortalecer a aliança com o PSB. Essa situação foi interpretada como uma tentativa de desgastar a relação com a federação e aumentar o valor do apoio político, um movimento que poderá ter repercussões significativas no cenário eleitoral.
Recentemente, antes da divulgação da nota do União Brasil, Marcelo Santos teve um almoço com o governador e os prefeitos de Cariacica e Viana. “Comida boa, conversa produtiva e visão alinhada”, postou Santos em suas redes sociais. Em seguida, se reuniu com Da Vitória, onde destacou estar “em sintonia pelo que é melhor para o ES”.
