A crescente tensão na Venezuela expõe fraquezas na diplomacia brasileira
A recente intervenção militar promovida pelo governo de Donald Trump na Venezuela, acompanhada por ameaças direcionadas à Colômbia, surge em um momento crítico, especialmente com as eleições se aproximando. Essa situação gerou considerável desconforto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que agora enfrenta um cenário desafiador. As evidências sugerem que esse não é um problema isolado, mas sim um desafio persistente, que deverá acompanhar Lula ao longo da extensa campanha de reeleição que se aproxima.
O episódio não apenas trouxe à tona a volta da chamada “gunboat diplomacy” dos EUA na América do Sul, mas também levantou questões sobre o papel e a influência do Brasil na região. O governo brasileiro se vê em uma posição delicada, reconhecendo que a situação poderia ter sido evitada, e que o oportunismo político agora prevalece. O Planalto, neste momento, parece hesitante em arriscar a “boa química” que Lula pretende manter com o presidente Trump, uma relação que poderia ser explorada na campanha eleitoral.
A dificuldade enfrentada por Lula é, em grande parte, resultado de uma sequência de erros políticos que remontam a anos anteriores. O Brasil, ao adotar uma postura de complacência em relação aos abusos promovidos pelo governo de Nicolás Maduro, acabou se colocando em uma situação complicada, comprometendo sua credibilidade na questão venezuelana.
A falta de uma posição firme levou o país a perder respeito entre os vizinhos sul-americanos. O discurso de Lula na reunião de países da região, realizado em Brasília em maio de 2023, quando minimizou a gravidade da violação dos direitos humanos na Venezuela, gerou reações contundentes de líderes como Lacalle Pou, do Uruguai, e Gabriel Boric, do Chile. Ambos criticaram a visão de Lula, destacando a necessidade de uma abordagem mais realista e menos condescendente em relação à situação na Venezuela.
É preocupante que, em um momento em que a política externa brasileira deveria brilhar, Lula se encontre em uma encruzilhada, sem as ferramentas necessárias para responder adequadamente aos desafios impostos pela crise venezuelana. Essa situação é um reflexo direto da irresponsabilidade com que o governo brasileiro lidou com os excessos do chavismo ao longo dos anos.
Os efeitos da política externa desastrosa começam a ser contabilizados, e a conta se torna evidente. A incapacidade do Brasil de se posicionar efetivamente em relação aos eventos na Venezuela poderá prejudicar ainda mais a imagem do país na América do Sul, em um momento em que a estabilidade regional é mais importante do que nunca.
