A Disciplina na Tomada de Decisões
O Financial Times destaca um ponto crucial: agilidade sem clareza pode resultar em mais riscos do que benefícios. Realmente, uma decisão eficaz não é fruto do instinto, mas sim do rigor na aplicação de modelos mentais que ampliam a visão do líder diante da incerteza.
Cinco modelos mentais se sobressaem pela sua aplicação prática no mundo corporativo. O primeiro, conhecido como “inversão”, foi proposto por Charlie Munger. Essa abordagem sugere que, ao questionar “como posso falhar?”, é possível identificar perigos que uma visão super otimista sobre o sucesso tende a ocultar.
Outro modelo relevante é o “pensamento de segunda ordem”, que orienta os líderes a considerarem não apenas as consequências imediatas de uma decisão, mas também seus impactos futuros. Essa perspectiva evita o erro comum do foco no curto-prazismo, que pode prejudicar resultados a longo prazo.
O conceito de “círculo de competência” é igualmente significativo: reconhecer os próprios limites e buscar ajuda de especialistas quando necessário demonstra uma maturidade estratégica essencial. Além disso, o “custo de oportunidade” nos lembra que toda escolha vem acompanhada de renúncias; ignorar alternativas mais vantajosas pode comprometer a competitividade de uma empresa no mercado.
Por fim, os “efeitos compostos” ressaltam que pequenas ações, quando realizadas de forma consistente ao longo do tempo, podem levar a resultados exponenciais. Esses modelos, portanto, não se configuram como manuais de bolso, mas sim como bússolas para um cenário em que executivos enfrentam múltiplos dilemas simultaneamente: a busca por resultados trimestrais, a oscilação dos mercados, as pressões por práticas sustentáveis, o aumento das expectativas sociais e as incertezas tecnológicas.
A tentação da pressa precisa ser vencida pela coragem de refletir. No Espírito Santo, onde empresas familiares e negócios de médio porte enfrentam desafios globais, a disciplina na tomada de decisões não é um luxo, mas uma questão de sobrevivência. O futuro não será definido exclusivamente pelo capital disponível, mas pela assertividade das escolhas feitas no presente.
Decidir de forma eficaz vai além de simplesmente reagir: trata-se de alinhar racionalidade, criatividade e valores. O líder que opta por pausar, testar hipóteses e explorar diferentes cenários não é lento; ao contrário, ele promove uma velocidade sustentável.
Assim, a pergunta que devemos nos fazer não é “quanto antes devo decidir?”, mas sim “como posso garantir que a decisão se sustente ao longo do tempo?”. Essa é a essência de uma liderança eficaz em tempos de incerteza.
