A Cultura e Seus Significados
Cultura é um termo que carrega uma diversidade de significados, e essa multiplicidade é fundamental, pois abrange aspectos essenciais da vida humana. Ela pode ser examinada sob perspectivas específicas, como as diversas linguagens artísticas, ou de forma mais ampla, compreendendo os modos de ser, viver e expressar-se das pessoas e comunidades.
Este texto busca explorar essa visão ampliada, pois ela é suficientemente generosa para incluir as distintas formas de expressão estética. Sua conotação abrangente reflete as maneiras de sociabilidade, as relações estabelecidas com o meio, as utilizações do tempo livre, bem como as práticas corporais, os atos de cuidado e até mesmo os hábitos alimentares.
Os Laços Culturais na Sociedade
Os fazeres culturais das comunidades que habitam a sociedade, embora aparentem ser espontâneos, são sustentados por códigos e referências compartilhadas. Esses elementos incluem valores, perspectivas e conhecimentos que são passados de geração para geração. Com isso, proponho a reflexão sobre a artificialidade da separação entre o que é visto como “voluntário” e o que se estrutura a partir de intenções políticas.
Para exemplificar essa ideia, menciono as festas de rua, que em diversas localidades promovem a união e o reconhecimento entre seus moradores e visitantes. Em São Paulo, festividades como a Festa da Achiropita, no Bixiga, a Eruv (festa de origem judaica organizada pela Casa do Povo, no Bom Retiro), e a Festa do Boi, no Butantã, exemplificam essa realidade, assim como as inúmeras quermesses e blocos carnavalescos que se espalham pela cidade. O pré-Carnaval, que se aproxima, também serve como uma boa oportunidade para essa reflexão.
A Experiência Coletiva nas Festas Culturais
Participar desses eventos significa incorporar repertórios que possuem características próprias – que vão desde as formas de ocupação do espaço público até as dinâmicas de interação que surgem, passando pela diversidade de corpos presentes, pelo cuidado mútuo e pelos consumos que fazem parte das festividades, além das manifestações simbólicas que conferem sentido às celebrações.
Nesse contexto, a institucionalidade da cultura pode intervir, não com o intuito de normatizar os movimentos da sociedade civil, mas para valorizá-los e auxiliá-los em sua realização. Incluir essas práticas nas políticas culturais pode fortalecê-las.
Interculturalidade e Compromisso Social
Outros benefícios dessa abordagem são evidentes, especialmente quando se considera a dinâmica da interculturalidade, onde diferentes grupos têm a oportunidade de se influenciar reciprocamente. Os setores público e privado têm a responsabilidade de incentivar e apoiar essas interações.
Além disso, destaco um aspecto que considero crucial para a vivência democrática: pessoas que se engajam em atividades culturais pautadas pela empatia, criatividade e pelo bem comum tendem a se comprometer mais com agendas coletivas. Isso, consequentemente, promove a justiça social, os direitos humanos e a redistribuição de oportunidades na sociedade.
Celebrando a Cultura como Forma de Conexão Social
Fortalecer laços ao “colocar o corpo na rua” durante as celebrações comunitárias é uma estratégia promissora para reforçar os pactos sociais. As interações proporcionadas pela cultura têm a capacidade de unir por meio da alegria, criando um sentido de pertencimento e coletividade.
