Reações nas Mídias Sociais
A morte de Peng Peiyun, ex-chefe da Comissão de Planejamento Familiar da China, gerou ondas de críticas nas redes sociais do país, em lugar de homenagens. O falecimento, ocorrido em Pequim no último domingo (21), pouco antes de seu aniversário de 96 anos, provocou uma onda de comentários questionando o legado da política do filho único, que vigorou de 1980 a 2015.
Apesar de a mídia estatal ter destacado Peng como “uma líder extraordinária” em suas ações voltadas para mulheres e crianças, a percepção popular, especialmente no microblog Weibo, é bastante distinta. “Aquelas crianças que estavam perdidas, nuas, estão esperando por você lá” foi um dos comentários que sintetizou o sentimento de muitos usuários em relação ao impacto negativo da política de controle de natalidade.
Impactos da Política de Controle Populacional
Implementada em resposta ao medo de um crescimento populacional descontrolado, a política do filho único obrigou muitas mulheres a passar por abortos e esterilizações forçadas, ações que geraram um contexto de sofrimento e arrependimento. Embora a intenção inicial fosse conter o crescimento populacional, o que se observou foram consequências alarmantes: a população da China caiu pelo terceiro ano consecutivo, totalizando 1,39 bilhão de habitantes em 2023, o que fez o país perder a liderança demográfica para a Índia.
“Se a política do filho único tivesse sido implementada por 10 anos a menos, a população da China não teria despencado assim!” comentou um usuário, refletindo a frustração com as políticas que ainda reverberam na sociedade chinesa. Especialistas projetam que essa tendência de queda populacional pode se acentuar nos próximos anos. O próximo relatório demográfico, que trará os dados de 2025, deve ser divulgado em breve.
Legado e Mudanças Futuras
Peng, que atuou como czar da população e focou principalmente na zona rural, lidou com uma cultura que valoriza famílias numerosas como forma de garantir apoio na velhice. Muitas famílias optavam por abortar fetos femininos, priorizando herdeiros masculinos que pudessem perpetuar o sobrenome familiar. “Essas crianças, se nascessem, teriam quase 40 anos de idade, no auge de suas vidas”, lamentou um internauta, lembrando da perda que a sociedade e o país enfrentaram.
Na década de 2010, Peng reviu sua posição e defendeu publicamente a flexibilização da política de filho único, reconhecendo as falhas da abordagem anterior. Atualmente, o governo chinês busca reverter a queda da taxa de natalidade através de incentivos como subsídios para creches, aumento do período de licença maternidade e benefícios fiscais.
Desafios Futuros da Economia Chinesa
As implicações do envelhecimento e da diminuição da população são preocupantes. A China, como a segunda maior economia do mundo, enfrenta desafios significativos, pois a força de trabalho está em declínio. O aumento dos custos relacionados aos cuidados de idosos e benefícios de aposentadoria pressiona ainda mais os orçamentos dos governos locais, que já estão sobrecarregados de dívidas. O cenário futuro para a economia chinesa, portanto, é de incertezas, especialmente se medidas eficazes não forem adotadas rapidamente.
