Setor em Expansão Apesar das Dificuldades
A construção civil no Espírito Santo continua a registrar crescimento em 2025, mesmo sob a pressão da alta taxa de juros. O segmento demonstrou notável resiliência e capacidade de adaptação, com um aumento de 15,3% nas unidades residenciais e comerciais em produção no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2024. O número de empreendimentos saltou de 14.885 para 17.177, de acordo com os 43º e 45º Censos Imobiliários do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), sendo o último divulgado em outubro de 2025.
Entretanto, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor revela um quadro desafiador. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção revisou suas previsões de crescimento para o ano, que caíram de 3% para 2,3% e, posteriormente, para 1,3%. No Espírito Santo, a situação é igualmente complexa, com uma retração de 1% no PIB da construção civil, conforme indicado pelo Indicador de Atividade Econômica da Federação das Indústrias do Espírito Santo (IAE-Findes).
Impacto da Taxa de Juros Elevada
Esses resultados, tanto em nível nacional quanto estadual, refletem o ciclo prolongado de juros altos, com a Selic mantida em 15%. Essa situação impacta diretamente a indústria da construção, que depende fortemente do financiamento e da demanda por crédito, tanto de empresas quanto de consumidores. O número de empregos gerados na construção civil também apresentou queda. Entre janeiro e outubro de 2025, foram criadas apenas 1.463 vagas, uma redução significativa em relação às 5.885 do mesmo período do ano anterior.
Perspectivas para o Setor Residencial
No Espírito Santo, a maior parte dos empreendimentos residenciais em andamento no primeiro semestre de 2025 se concentra na faixa de médio e alto padrão, representando 59,8%. Por outro lado, 40,2% das unidades são de categorias econômicas, como as do programa Minha Casa Minha Vida, que se mostraram resilientes neste ano, aumentando de 32,9% para uma fatia mais significativa do mercado.
“O programa Minha Casa Minha Vida tem sido crucial para manter a atividade no segmento de construção de edifícios”, afirmou Eduardo Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES. Quanto à localização, Vila Velha se destacou como o município com maior número de unidades em construção, totalizando 8.977, seguido por Serra e Vitória, com 3.846 e 3.625, respectivamente. Borges observou que Vila Velha oferece as melhores condições para a oferta habitacional, como um plano diretor eficiente.
Inovação e Tecnologia na Construção
O avanço da tecnologia tem sido um grande aliado para a indústria da construção, conforme ressaltou Borges. “Estamos observando um uso mais intensificado de tecnologia para organizar melhor os projetos e acelerar o cronograma das obras.” Eventos como a ES Construção Brasil 2025 reforçaram a discussão sobre cidades planejadas e sustentáveis, destacando o uso de metodologias como o BIM (Building Information Modeling), que digitaliza o processo construtivo permitindo um gerenciamento mais eficaz.
O uso de softwares de gestão, construção modular e métodos industrializados também está em ascensão, impulsionados por feiras como a ES Construção Brasil, que promove startups e soluções tecnológicas voltadas para o setor.
Novo Modelo de Crédito Imobiliário e Desafios da Construção Pesada
Uma medida que pode trazer fôlego ao setor em breve é o lançamento do Novo Modelo de Crédito Imobiliário pelo governo federal, que promete impactar não apenas a construção civil, mas também o mercado de corretagem. A proposta inclui um aumento no valor máximo dos imóveis financiados no Sistema Financeiro da Habitação, que passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, além de permitir que 100% dos recursos das poupanças sejam utilizados para crédito imobiliário.
Na construção pesada, políticas estaduais de infraestrutura continuam a desempenhar um papel vital, com avanços em projetos relacionados a rodovias, saneamento e melhorias urbanas. Thiago de Souza Botelho, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Espírito Santo (Sindicopes), citou a pressão dos altos custos de insumos e a necessidade de maior previsibilidade nas contratações públicas como desafios persistentes. “Apesar de um cenário econômico complicado, continuamos a desenvolver obras essenciais que geram emprego e dinamismo na economia local”, concluiu.
