Análise do Desempenho do Agronegócio no Espírito Santo
O recente desempenho do agronegócio no Espírito Santo tem provocado uma mudança significativa no perfil regional de atividades econômicas. Dados divulgados pelo IJSN/IBGE referentes aos PIBs municipais de 2023, comparados com uma série histórica que remonta a 2002, evidenciam esse fenômeno. Ao analisar valores deflacionados pelo deflator implícito do produto (DIP), que elimina o efeito dos preços, observa-se uma tendência de crescimento mais acentuado em regiões e municípios do interior em relação à região metropolitana.
Em 2002, a Região Metropolitana do Espírito Santo era responsável por 63% do PIB do Estado. Atualmente, essa participação caiu para 55%. Em contrapartida, as demais regiões do Estado, antes responsáveis por 37% da produção econômica, agora representam 45%. O Litoral Sul, em particular, registrou um aumento significativo de 7,1%, passando de 4,9% para 12%, impulsionado principalmente pelos setores de petróleo e a atuação da Samarco. No entanto, as regiões Central Sul e Nordeste apresentaram quedas de 0,7% e 0,4%, respectivamente, somando um ganho de cerca de 1,8% para as demais áreas do interior, com destaque para Central Serrana e Sudoeste Serrana.
Destaques do PIB e as Atividades de Extração de Petróleo
Ao analisarmos o desempenho econômico ao longo dos anos, é possível identificar municípios que se destacam pela extração de petróleo como principal fonte de geração de PIB. Vale ressaltar que, embora esses números representem um crescimento significativo, eles se referem a um PIB que, na prática, é fictício, dado que gera apenas royalties e participações especiais, sem impactar diretamente a renda da população local. Municípios como Marataízes, que apresentou um crescimento impressionante de 1.102% em termos reais, estão entre os principais beneficiados, seguidos por Presidente Kennedy, Itapemirim e Piúma.
Por outro lado, boas notícias vêm de Viana, que cresceu 242% devido às atividades logísticas, e de Santa Maria de Jetibá (239%), além de Cariacica, que teve um aumento de 146%. Aproximadamente 44 municípios do interior, cujas economias são predominantemente agrícolas, também superaram a média estadual, indicando um crescimento robusto no setor agropecuário.
Períodos de Análise e Tendências Econômicas
Para compreender melhor as dinâmicas internas ao longo da série histórica, é interessante dividir os dados em três subperíodos: o “boom” das commodities (2002-2014), o período de crise (2014-2020) e o pós-pandemia (2020-2023).
No período de crescimento das commodities, os municípios litorâneos relacionados à extração de petróleo, especialmente na Região Litoral Sul, se destacaram, assim como algumas áreas voltadas para o agronegócio, como Santa Maria de Jetibá, que registrou um crescimento de 129%, e Alfredo Chaves com 165%.
Durante a crise de 2014 a 2020, Viana liderou o crescimento com um aumento de 116% ao longo de seis anos, seguido por Pinheiros (53%), Santa Leopoldina (48%) e Santa Maria de Jetibá (48%). É relevante mencionar que, nesse período, o PIB total do Estado caiu 4,9%, com Anchieta enfrentando uma queda dramática de 70% devido à paralisação das atividades da Samarco.
Na recuperação pós-pandemia, Anchieta se destacou novamente, com a reabertura da Samarco resultando em um crescimento de 59% em três anos. Outros municípios que se beneficiaram da retomada da extração de petróleo, como Presidente Kennedy, também mostraram resultados positivos. O agronegócio se reafirmou com força nesse período, impactando positivamente cidades como Vila Valério, Jaguaré, Rio Bananal, Marilândia e, mais uma vez, Santa Maria de Jetibá.
Se eu tivesse que escolher um exemplo de crescimento e resiliência durante todo esse período, certamente apontaria Santa Maria de Jetibá, que se consolidou como um símbolo do agronegócio no Estado. Na verdade, quando se fala em crescimento econômico na região, é impossível não associar a figura do agronegócio a essa trajetória de desenvolvimento.
