Corantes Sintéticos: Uma Ameaça à Saúde Infantil
Uma pesquisa recente publicada no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics analisou mais de 39 mil produtos disponíveis em supermercados dos Estados Unidos. O estudo, que contou com a participação de instituições renomadas como o The George Institute for Global Health e a Universidade da Carolina do Norte, revela que os corantes artificiais são frequentemente utilizados para tornar os alimentos mais atrativos, especialmente os destinados ao público infantil. No entanto, as evidências científicas começam a apontar para a relação entre esses aditivos e impactos negativos na saúde mental das crianças.
Os pesquisadores focaram em cinco categorias de produtos frequentemente direcionados às crianças: confeitos, bebidas adoçadas, refeições prontas, cereais matinais e itens de panificação, como bolos e biscoitos. Os resultados indicam que 28% desses produtos contêm corantes sintéticos, em comparação com apenas 11% nas demais categorias. Além disso, os alimentos que incluem esses corantes apresentam níveis de açúcar alarmantes, com uma média de 141% a mais do que os produtos sem corantes.
Os Perigos do Consumo Excessivo de Alimentos Ultraprocessados
O excesso de corantes artificiais e açúcar pode aumentar o risco de várias doenças, incluindo problemas gastrointestinais e câncer colorretal. Elizabeth Dunford, pesquisadora do The George Institute, expressou sua preocupação com a presença contínua desses aditivos em alimentos voltados para crianças. “É frustrante ver que, apesar das evidências dos danos que causam, os corantes sintéticos ainda são tão comuns no nosso sistema alimentar”, destacou.
Dunford também comentou sobre a relação entre os níveis elevados de açúcar e a utilização de corantes, explicando que os fabricantes tendem a utilizar esses aditivos para atrair o público infantil, embora ambos estejam associados a efeitos adversos na saúde.
Marcas em Destaque e o Uso de Corantes Sintéticos
O estudo também identificou as principais marcas que utilizam corantes artificiais em seus produtos. Entre elas, a Ferrero se destacou com 60% de seus produtos contendo esses aditivos, enquanto a Mars apresentou 52%. No setor de bebidas, mais da metade (51%) dos energéticos da PepsiCo e 79% das bebidas esportivas continham corantes sintéticos, independentemente da marca.
Em declaração, Thomas Galligan, cientista-chefe para aditivos alimentares no Center for Science in the Public Interest, enfatizou que os corantes sintéticos são desnecessários na alimentação americana, mas a eliminação progressiva desses produtos ainda enfrenta resistência. “A FDA solicitou que a indústria alimentícia retirasse esses corantes de forma voluntária, mas muitas empresas não cumpriram suas promessas anteriores”, afirmou.
Perspectivas e Recomendações para Consumidores
Galligan sugere que a imposição de rótulos de advertência para produtos que contenham corantes sintéticos, semelhante à regulamentação existente na União Europeia, poderia incentivar as empresas a reformularem suas receitas. Isso ajudaria os consumidores a fazer escolhas mais saudáveis.
Dunford considera positivo o movimento de diversos estados americanos que apresentam legislações para restringir o uso de corantes artificiais. “Esses dados podem ajudar a informar decisões de políticas públicas. Enquanto isso, pais e consumidores devem estar atentos aos rótulos dos produtos”, alertou. A pesquisadora recomenda evitar alimentos que contenham corantes sintéticos e altos níveis de açúcar, especialmente aqueles destinados às crianças, em busca de uma alimentação mais saudável.
