Um Oasis Verde na Grande Vitória
O Convento da Penha, localizado em Vila Velha, Espírito Santo, é mais do que um importante santuário religioso; ele se destaca como um verdadeiro refúgio natural. Durante a Festa da Penha, que atrai milhares de fiéis, a beleza das mais de 50 hectares de Mata Atlântica ao redor do convento ganha atenção especial. Esse espaço verde abriga uma rica diversidade de fauna e flora, incluindo saguis, bichos-preguiça, gambás, esquilos e uma variedade impressionante de aves.
Essa área preservada, visível de longe, seja pela baía de Vitória ou pela Terceira Ponte, não apenas complementa a experiência dos visitantes, mas também simboliza a ligação entre a espiritualidade e a natureza. Em 2026, a Festa da Penha homenageia os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, conhecido por sua defesa da ecologia e padroeiro dos animais. Essa conexão entre fé e natureza, como ressaltado pelo frei Vanderlei da Silva Neves, é fundamental.
“São Francisco nos ensina a Ecologia integral. Ele não via a natureza como um recurso, mas como irmãos e irmãs, criaturas do mesmo Deus”, afirmou o frei. Essa filosofia ecoa entre os visitantes, que frequentemente vêm ao convento em busca de paz espiritual e conexão com a natureza.
Observação de Aves e a Experiência Pessoal
O servidor público Régis Filotti, membro do Clube de Observadores de Aves do Espírito Santo, expressa seu carinho pelo local. “A mata do convento é um ponto muito bacana de observação, ainda mais por ser tão conservada no meio da cidade. Abriga inúmeras aves, inclusive algumas raras, como o gavião-pombo. Eu sempre indico para observadores de fora”, destaca.
Para Régis, a experiência de visitar o Convento da Penha é uma fusão de fé e apreciação pela natureza. “Consigo participar mais ativamente da Festa da Penha desde quando me mudei para Vitória, há 23 anos. Hoje, estou aqui tanto para observar os animais quanto para fazer minhas orações”, conta.
O Convento da Penha é, sem dúvida, um destino que cativa não apenas pela religiosidade, mas pela riqueza natural que o cerca.
Conexões Pessoais e Preservação Ecológica
O professor e engenheiro florestal Luiz Fernando Schettino compartilha uma visão profunda sobre a relação com o ambiente do Convento da Penha. Sua conexão com São Francisco começou em 1999, quando visitou seu túmulo na Itália, uma experiência transformadora. “A partir desse momento, passei a me interessar mais pela espiritualidade franciscana e me aproximei dos frades do Convento da Penha”, relembra.
Engajado na preservação, Schettino co-participa de ações de reflorestamento na região, plantando mudas de jequitibá, símbolo do Espírito Santo. “Plantá-las aqui foi a realização de um sonho pessoal”, revelou. O Convento não apenas abriga um importante acervo de árvores típicas da Mata Atlântica, mas também forma um corredor ecológico vital que favorece a qualidade do ar na Grande Vitória.
A diversidade ambiental também inclui pequenos mamíferos, roedores, aves, répteis e até cobras, como jararacas, que desempenham papéis cruciais no ecossistema local. O professor enfatiza que o reflorestamento iniciado na década de 1970 foi essencial na recuperação da área, resultando em uma vegetação vibrante que sustenta a vida animal.
Um Patrimônio Cultural e Espiritual
Para Schettino, o Convento da Penha representa um turismo singular, onde se entrelaçam história, cultura e meio ambiente. “No estado não temos um ponto turístico igual, que é um patrimônio histórico, ambiental e cultural. Imagino que minha filha possa vir aqui um dia e lembrar de mim”, reflete.
A conexão entre fé e natureza é evidente para os visitantes e, segundo frei Vanderlei, cuidar da criação é uma forma de devoção. “Devemos nos espelhar em São Francisco para viver em harmonia com todos os seres, com cuidado e zelo”, conclui.
A Festa da Penha, a maior celebração religiosa do Espírito Santo, ocorrerá em 2026 entre os dias 5 e 13 de abril, reunindo missas, romarias e eventos que devem atrair mais de 2,5 milhões de pessoas.
