Impacto Econômico da Construção do Contorno
O presidente da Câmara de Vereadores de Ibiraçu, Breno Lúcio, expressou sua oposição à construção do Contorno da BR-101, tal como está sendo planejada pela Ecovias Capixaba. Para ele, a obra terá um impacto negativo significativo nas empresas locais. Durante uma entrevista ao Folha Vitória, Lúcio enfatizou que a mudança no trânsito pode prejudicar substancialmente a economia da cidade.
A realização do projeto requer a desapropriação de cerca de 20 áreas, incluindo um casarão centenário que abriga 13 moradores da família Perut, além de ser o lar do artista plástico capixaba José Paulo Dileta. O vereador ressaltou que a transferência do tráfego de veículos pesados para o novo contorno afetará diretamente o movimento comercial na cidade.
“O Contorno vai tirar todo o fluxo de dentro do município, prejudicando a economia local. Pode ter certeza que algumas empresas vão fechar, especialmente lanchonetes e restaurantes que dependem desse movimento. Aqui, as oportunidades de emprego já são escassas. O maior empregador na região é a prefeitura, enquanto Aracruz, a cidade vizinha, também absorve muitos trabalhadores. Com o novo contorno, o fluxo de clientes pode diminuir em até 50% ou mais”, alertou Lúcio.
Desapropriação e a Família Perut
A família Perut, que reside no casarão centenário, recebeu uma prorrogação de 60 dias para desocupar o imóvel. Inicialmente, eles tinham até o dia 26 de março deste ano para deixar a propriedade, que será demolida para dar lugar ao Contorno da BR-101. Contudo, uma recente decisão judicial, comunicada na sexta-feira (20), concedeu mais tempo para que os moradores se organizem.
Daniel Perut, neto dos proprietários, informou ao repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record, que seus avós, Aurora Perut Barbosa, de 100 anos, e Pedro Barbosa, de 97 anos, estão em uma batalha judicial desde outubro do ano passado, quando foram notificados sobre a desapropriação.
Daniel tem trabalhado para preservar o casarão, pleiteando seu tombamento histórico em esferas municipal e federal, embora não tenha obtido sucesso nesta demanda. Ele compartilhou que a extensão do prazo foi uma notícia bem-vinda: “Nossa advogada pediu ao desembargador mais 60 dias para conseguirmos nos adequar. Graças a Deus, recebemos essa prorrogação e estamos tentando ver o que fazer nesse período”, comentou.
O Legado Histórico do Casarão
A situação da família Perut é acompanhada de perto pela reportagem do Folha Vitória. O neto, Daniel, visa garantir que o casarão, com mais de 100 anos, receba o devido reconhecimento histórico, o que poderia evitar a desapropriação e forçar a Ecovias Capixaba a alterar o trajeto da rodovia.
No entanto, com o passar do tempo, Daniel começou a perder a esperança de conseguir impedir a perda do imóvel. “Infelizmente, vou ter que ceder. Não é o que desejo, nem a minha família, mas não temos alternativas. É uma pena, pois estamos prestes a perder uma parte da história de Ibiraçu”, lamentou.
