Desentendimento e Repressão no Carnaval de Vila Velha
O desfile do bloco Unidos da Toca, realizado na tarde deste domingo (15) em Vila Velha, terminou em tumulto. A confusão teve início após uma discordância entre foliões e agentes da Guarda Municipal, que restringiram o trajeto previamente autorizado para o evento. A situação escalou rapidamente, resultando em correria, uso de balas de borracha, spray de pimenta e até a utilização de bombas de efeito moral. Um dos organizadores do bloco foi detido durante o episódio.
A Guarda Municipal esclareceu que o percurso oficial previa a saída da Rua Doutor Jair de Andrade, passando pela Avenida Fortaleza, Rua Belém e Rua Biribazeiro, para então retornar ao ponto inicial. Entretanto, ao final do trajeto, os organizadores solicitaram permissão para estender o desfile pela Avenida Professora Francelina Carneiro Setúbal, o que foi negado pelos agentes devido ao trânsito intenso na via, uma das mais importantes de acesso à Terceira Ponte.
Incitação e Desrespeito às Autoridades
Segundo informações da Guarda Municipal, após a negativa, o organizador subiu ao trio elétrico e comunicou aos foliões que a equipe da Guarda estava impedindo a continuidade do desfile, incentivando o público a seguir pela avenida principal. A corporação relatou ter tentado dialogar com os organizadores, mas sem sucesso. A nota oficial ainda acusa o organizador de hostilizar os agentes e incitar os foliões a desrespeitar a ordem estabelecida, alegando que o bloco não terminaria.
Importante ressaltar que o organizador havia assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura de Vila Velha, comprometendo-se a respeitar o percurso definido pela Comissão Municipal de Eventos. Após o tumulto, a Guarda informou que, enquanto a banda e alguns foliões seguiam o trajeto autorizado a pé, o trio elétrico optou por circular por ruas internas em Itapuã antes de voltar a tocar na Avenida Professora Francelina Carneiro Setúbal, já fora do percurso permitido.
Uso Progressivo da Força e Detenção
Com a confusão instaurada, a Ronda Ostensiva Municipal (Romu) foi acionada para dar apoio nas ações. Conforme a Guarda, foliões começaram a arremessar objetos, incluindo garrafas e pedras, em direção aos agentes. Diante da situação, a corporação adotou o uso progressivo da força, utilizando armamentos de menor potencial ofensivo para dispersar a multidão e restaurar a ordem local. O organizador foi levado à Delegacia Regional de Vila Velha, mas informações sobre outras detenções ou feridos ainda não foram divulgadas.
Organizadores Rebatem Acusações
A direção do bloco Unidos da Toca se manifestou por meio de uma nota, alegando que foram impedidos pela Guarda Municipal de finalizar o percurso em um ponto que, segundo eles, havia sido previamente autorizado pela Prefeitura. Após a orientação dos agentes, os foliões seguiram de forma pacífica até o destino indicado, mas ao chegarem, houve a ação de dispersão com uso de gás lacrimogêneo, bombas e tiros de balas de borracha. A organização enfatizou que, em seus mais de 45 anos de história, sempre se opôs à violência, destacando que o evento visa promover cultura, alegria e união durante o Carnaval.
Além disso, o bloco repudiou a responsabilização por atos isolados de indivíduos que não compartilham de seus valores. Por fim, os organizadores agradeceram ao apoio da Polícia Militar e pediram aumento do diálogo e respeito nas ações que envolvem a Guarda Municipal.
Este incidente gera um alerta sobre a importância de uma comunicação eficaz entre as autoridades e os organizadores de eventos, especialmente em momentos tão festivos como o Carnaval.
