Aumento nos Custos e Desafios Logísticos
A recente escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã apresenta consequências diretas para o agronegócio brasileiro, conforme destaca a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A entidade alerta que a elevação dos custos com energia, insumos e logística internacional poderá impactar significativamente o setor. O acúmulo de armamentos no Oriente Médio e na Europa, observado em fevereiro deste ano, eleva a possibilidade de confrontos diretos na região, o que provavelmente aumentará os prêmios de risco geopolítico. Essa situação tende a repercutir nos preços de combustíveis e nos fretes marítimos, essenciais para a exportação agrícola do Brasil.
O Estreito de Ormuz se torna um ponto crucial de preocupação, pois é a principal via de escoamento mundial, responsável por cerca de 20% do consumo global de líquidos e 27% do comércio marítimo de petróleo. Qualquer interrupção nesta rota pode impactar diretamente os custos associados ao transporte de mercadorias, complicando ainda mais a logística do agronegócio.
Gargalos Logísticos e Acompanhamento dos Insumos
Além dos desafios impostos pela energia, a região do Oriente Médio também concentrou gargalos logísticos que ligam a Ásia à Europa, via Canal de Suez. Interrupções nessas rotas forçam os navios a desviarem pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando o tempo de entrega e, consequentemente, os custos operacionais do transporte.
No que diz respeito aos insumos, a Farsul observa uma vigilância constante sobre a oferta de fertilizantes, em especial os nitrogenados. Embora o Irã represente apenas 2,2% das importações brasileiras de ureia, qualquer desestabilização na região pode gerar oscilações significativas nos preços globais desse produto. A Farsul destaca: “A região é uma exportadora relevante de fertilizantes, e a volatilidade energética causa impacto nos custos de produção dessas tecnologias”.
Relações Comerciais e Perspectivas para o Agronegócio
Em relação ao comércio bilateral, a Farsul informa que o Irã foi o segundo maior destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2025, contabilizando 11,5 milhões de toneladas exportadas. A receita gerada pelas vendas para o mercado iraniano atingiu US$ 2,9 bilhões no último ano, sendo que o milho se destacou com US$ 1,9 bilhão, seguido pela soja em grãos com US$ 563 milhões, açúcar com US$ 189 milhões e farelo de soja com US$ 182 milhões.
Diante desse cenário, a recomendação da Farsul para os produtores rurais e sindicatos é de que realizem um monitoramento atento de indicadores como cotações do petróleo, taxas de câmbio e valores dos fretes internacionais. Além disso, a entidade sugere uma reavaliação dos cronogramas de compras de insumos e da exposição cambial caso o conflito na região se confirme, garantindo assim uma melhor gestão dos riscos envolvidos.
