Desejo de Compra em Alta
Um estudo recente da Apex, apresentado durante o Data Business Real Estate, revelou que 48% dos brasileiros manifestam a intenção de adquirir um imóvel nos próximos dois anos. Este dado ganhou destaque em um evento realizado na manhã de quinta-feira (12) na Fucape Business School, em Vitória, que reuniu empresários e investidores do setor imobiliário. O levantamento detalha que, desses 48%, 33% ainda não iniciaram a busca, 9% estão pesquisando na internet, e 6% já visitam imobiliárias e stands de vendas.
Cenário Macroeconômico e Suas Implicações
O desejo de compra de imóveis é influenciado pelo ambiente macroeconômico atual. Segundo o economista Lucas Shuller, da Apex, embora a economia esteja desacelerando, não há sinais claros de recessão. Ele explica que a trajetória de redução da Taxa Selic em 2026 será determinada pela inflação e pela incerteza em um ano eleitoral. A Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, tem grande impacto sobre os custos do crédito imobiliário.
Shuller comenta que o mercado espera que na próxima reunião do Copom, onde se decide a taxa de juros, o Banco Central comece a implementar cortes na Selic. As previsões indicam que a taxa pode encerrar o ano entre 12% e 12,25%. Isso é visto como um fator positivo, pois poderá estimular o setor imobiliário.
Potencial de Compra e Rendimento do Consumidor
Em contrapartida, o potencial de compra do consumidor parece estar em alta. A massa de rendimentos mensais alcançou o recorde histórico de R$ 355 bilhões, refletindo um crescimento de 5,5% nos últimos 12 meses, de acordo com dados do IBGE de 2026. Essa informação é um indicativo importante sobre a disposição de investimento por parte da população.
Confiabilidade do Setor da Construção
Os empresários do ramo da construção civil e os consumidores demonstram um certo otimismo, embora em um ritmo de queda. Em 2026, o Índice de Confiança do Consumidor foi de 86,6 pontos, comparado a 92 em 2024. Por sua vez, o Índice da Construção Civil caiu de 96,6 para 93,2 pontos no mesmo período, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas. Além disso, o setor da construção civil se mantém aquecido, com 2,9 milhões de trabalhadores formais. No entanto, 70% das empresas enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.
Mercado Imobiliário em Vitória e Vila Velha
As cidades de Vitória e Vila Velha continuam a ser as principais referências no mercado imobiliário do Espírito Santo. Segundo Lucas, essas localidades experimentaram uma valorização do metro quadrado residencial que supera a média nacional. Vitória conta com 83 empreendimentos residenciais totalizando 3.971 unidades, sendo 1.042 disponíveis para venda. Já Vila Velha possui 87 empreendimentos e 8.002 unidades, com 1.808 disponíveis. O estoque atual de imóveis disponíveis em Vitória equivale a 7,8 meses de vendas, enquanto em Vila Velha é de 6,4 meses, comparado à média nacional de 8,9 meses.
Desafios do Crédito Imobiliário
A concessão de crédito imobiliário apresentou uma desaceleração em 2025. Lucas explica que um aumento na concessão de crédito é um motor para o crescimento do PIB, enquanto sua queda pode ter o efeito oposto. Em 2025, o setor viu R$ 295 bilhões em crédito imobiliário, com uma taxa de financiamento de 10,8%.
Ele ressalta que, com a Selic em patamares elevados, o crédito se torna menos atrativo, tornando a aquisição de imóveis mais cara. Apesar disso, a concessão de crédito ainda apresenta um crescimento, embora esse aumento pudesse ser mais robusto caso as condições se tornassem mais favoráveis.
