Relações Comerciais em Alta
Em 2025, as exportações brasileiras para a China atingiram um novo marco, alcançando a impressionante quantia de US$ 100 bilhões. Esse resultado é o segundo maior em quase três décadas, com dados do Conselho Empresarial Brasil-China mostrando que apenas os US$ 104 bilhões registrados em 2023 superam esse número. O crescimento das relações comerciais entre os dois países, que possui raízes históricas, se intensificou consideravelmente após 2018, quando a China começou a concentrar uma parcela significativa de suas importações de grãos e proteínas animais no Brasil.
No entanto, essa relação, apesar de estratégica e altamente lucrativa, apresenta algumas fragilidades. Mudanças nas regulamentações sanitárias, nas políticas comerciais ou no cenário econômico da China podem impactar rapidamente toda a cadeia produtiva brasileira. Por outro lado, a vasta demanda por alimentos pelo mercado chinês e sua capacidade de absorver grandes quantidades de produtos fazem do país um destino primordial para o escoamento da produção brasileira, consolidando a competitividade do agronegócio nacional.
Especialistas destacam que a dinâmica dessa relação bilateral é mútua. A China depende das importações brasileiras para garantir a alimentação de sua população e controlar a inflação alimentar. Em contrapartida, o Brasil encontra no país asiático uma fonte segura para escoar seus grandes volumes de produção, especialmente em áreas como carne, soja, milho e biocombustíveis.
Contexto Histórico e Impactos
Entre 2018 e 2023, eventos como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, o surto de peste suína africana e a pandemia de coronavírus tiveram efeitos significativos no comércio global de alimentos. Em 2018, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos chineses, que forçaram a China a buscar novas fontes de suprimento. Com o surto de peste suína, que devastou o rebanho de suínos na China, a nação precisou redirecionar suas compras, optando por países como o Brasil, que oferecia preços competitivos e volume suficiente para atender à demanda crescente.
Os dados são reveladores: em 2019, as exportações brasileiras de carne suína para a China aumentaram em 59%. As vendas de carne bovina e de frango também cresceram de forma expressiva. A pandemia, em 2020, reforçou essa dependência, uma vez que as interrupções logísticas em outros mercados elevaram a importância do Brasil como fornecedor confiável.
Esses fatores resultaram na consolidação do Brasil como um parceiro estratégico da China, demonstrando a interdependência que se formou entre as nações e como fatores internacionais afetam diretamente o agronegócio brasileiro e os preços internos dos alimentos.
China: Líder em Importações de Soja
Com a China sendo o maior importador mundial de soja, o país adquiriu 111,83 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. As compras de soja brasileiras foram predominantes, contabilizando 87,1 milhões de toneladas, cerca de 80% do total exportado no ano. A participação do Brasil no mercado chinês subiu para 73,6%, comparado a 71% em 2024, enquanto a Argentina viu sua participação crescer de 4% para 7%.
No primeiro semestre de 2025, os embarques dos principais produtores, como Brasil e Argentina, impulsionaram um aumento significativo nas importações chinesas, o que elevou os totais anuais a um nível recorde. Para milho, a China abriu seu mercado ao cereal brasileiro em 2022, tornando-se um cliente crucial e buscando reduzir a dependência de outros fornecedores. Contudo, com safras recordes em 2024 e 2025, a China adotou uma abordagem mais seletiva, reduzindo as importações de milho e levando à queda nos preços na safra brasileira.
Desafios no Setor de Carnes
A demanda chinesa desempenha um papel vital no setor de proteínas animais do Brasil. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que, em 2025, a China foi o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 48% do volume total exportado, representando 1,68 milhão de toneladas, o que totalizou US$ 8,90 bilhões.
Por outro lado, a China perdeu a liderança nas importações de carne suína, caindo para a segunda posição em relação às Filipinas, com 159,2 mil toneladas compradas, uma queda de 33,9% em relação ao ano anterior. A carne de frango também enfrentou desafios devido a restrições impostas pela China após um surto de gripe aviária no Brasil, impactando negativamente os embarques.
Diversificação e Futuro do Agronegócio
Apesar da forte relação com a China, o governo brasileiro busca diversificar seus mercados para minimizar a dependência de um único parceiro comercial. Novas negociações e parcerias estão sendo firmadas para garantir que os produtores brasileiros estejam protegidos de oscilações de preços ou mudanças na política chinesa. Essa diversificação é essencial para aumentar a resiliência do setor, sem deixar de reconhecer a importância da China como um aliado comercial.
A interdependência entre Brasil e China reflete-se diretamente nos preços dos alimentos no mercado brasileiro. Um aumento nas importações por parte da China tende a estabilizar ou aumentar os preços internos, enquanto uma queda pode pressionar os valores. Por isso, a relação futura entre os dois países no agronegócio será fundamental. Para o Brasil, a manutenção da competitividade e a diversificação de mercados serão cruciais, enquanto a China continuará a ver o Brasil como um parceiro estratégico para garantir sua segurança alimentar e abastecimento diversificado.
