Uma Viagem pela Arte e Cultura Urbana
A Casa Cultural 155, localizada em Vila Velha, é o cenário da exposição “Cicatrizes”, que traz a individual do artista visual Ronaldo Gentil. A mostra revela obras criadas a partir de um intenso processo no ateliê, que dialogam diretamente com as vivências nas ruas da Região Metropolitana da Grande Vitória, com especial ênfase nas influências do punk, hip hop e da pixação.
Ronaldo Gentil nasceu em 28 de setembro de 1983, na Serra, e passou sua infância no bairro Laranjeiras, concebido como um conjunto habitacional voltado para trabalhadores da indústria local. Desde cedo, a rua se tornou seu espaço de convivência, enquanto seus pais estavam ocupados com o trabalho. Com o tempo, ele se envolveu com grupos que promoviam práticas culturais urbanas, participando de competições e encontros comunitários que moldaram sua trajetória.
Aos 14 anos, Gentil se conectou com o movimento punk, o que ampliou seus horizontes e o aproximou de uma contracultura mais ampla na Grande Vitória. Durante essa fase, o artista começou a interagir com tatuadores e grafiteiros, o que o levou a uma imersão nas culturas hip hop e pixação – manifestações que entrelaçam identidade, tradição e intervenções estéticas. Essas experiências foram fundamentais para sua formação como artista, antes mesmo de se consolidar nas artes visuais.
Antes de mergulhar de cabeça nas artes plásticas, Ronaldo atuou como fotógrafo e teve experiências no campo audiovisual, que enriqueceram sua percepção sobre o universo das imagens. Essa bagagem se reflete nas obras que compõem “Cicatrizes”, onde elementos de pintura, memória e experiência urbana se entrelaçam de maneira intensa.
A produção artística de Gentil é marcada por um processo criativo que é ao mesmo tempo emocional e social. O artista destaca que sua inspiração está intimamente ligada à luta pela democratização do acesso à arte e ao reconhecimento das práticas autônomas realizadas por movimentos populares que não contam com o apoio de instituições. A valorização da liberdade e da força coletiva são temas recorrentes em sua pesquisa pictórica.
A abertura da exposição ocorreu no dia 12 de fevereiro, às 20h, e contou com a presença do artista, além de músicos convidados. A programação da noite teve início às 18h, com uma discotecagem de vinil a cargo do coletivo Tropical Groove, seguida pela apresentação do DJ Negana, que animou a trilha sonora. O evento ainda trouxe uma agenda diversificada, com performances como a de Dani K às 21h50, seguida pelo show de 1CaraQualquer e o encerramento com Nico Beats às 23h.
Após a abertura, a exposição “Cicatrizes” poderá ser visitada até o dia 8 de março, de quarta a sexta-feira, das 18h às 22h. Durante esse período, estão programadas visitas mediadas, cujas datas serão comunicadas posteriormente. Os interessados poderão agendar suas visitas com a curadoria da Casa Cultural 155.
A Casa Cultural 155, situada na Avenida Jerônimo Monteiro, 155, no Centro de Vila Velha, se destaca por sua programação voltada a exposições, encontros e atividades que promovem a produção independente. A entrada é gratuita, permitindo que todos tenham acesso à arte e cultura de qualidade.
