Uma nova era para a segurança pública capixaba
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SESP) do Espírito Santo revelou, nesta quarta-feira (07), os resultados iniciais do Laboratório Cibernético, conhecido como Ciberlab. Criada em novembro do ano passado, essa infraestrutura estratégica começou a operar em dezembro e está vinculada à Subsecretaria de Inteligência (SEI). A iniciativa representa um avanço significativo no uso de tecnologia de ponta para fortalecer as investigações policiais e o combate ao crime organizado no estado.
O Ciberlab foi concebido com um foco especial na inteligência voltada para combater crimes que ocorrem no ambiente digital. Entre os delitos que a nova unidade investiga estão fraudes eletrônicas, pornografia infantil, violência escolar, lavagem de dinheiro e atividades de facções criminosas, todas empregando meios digitais para ocultar e executar seus atos ilícitos.
Em sua primeira atuação, o Ciberlab apresentou resultados impressionantes. Apenas no mês de dezembro, o laboratório ajudou na localização e prisão de 45 foragidos da Justiça, considerados alvos estratégicos pelas forças de segurança. Muitos desses indivíduos estavam condenados por crimes de grande gravidade.
Integração e suporte às forças policiais
O Ciberlab atua de forma integrada, fornecendo suporte técnico especializado às forças policiais do estado. Um dos principais destaques desse trabalho é o rastreamento de criptoativos, a identificação de fluxos financeiros ilícitos, a coleta e análise de vestígios digitais e a produção de inteligência qualificada, que subsidia medidas cautelares e operações de campo conduzidas pela Polícia Civil, além de integrações com as polícias Militar e Penal.
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, a principal meta do Ciberlab é se antecipar às ameaças do mundo digital. “O principal objetivo do Cyberlab é oferecer respostas rápidas a investigações que ocorrem no ambiente digital, além de coletar dados que são normalmente difíceis de obter pelas forças de segurança”, destacou o secretário.
O subsecretário de Inteligência da SESP, delegado Jordano Bruno Leite, ressaltou que, apesar de estar centralizado em Vitória, o Ciberlab é capaz de rastrear indivíduos em outros estados, uma vez que os dados que trafegam na internet muitas vezes incluem informações de geolocalização.
Resultados impressionantes em crimes graves
Por meio das operações do Ciberlab, foram realizadas prisões significativas. Por exemplo, um indivíduo localizado em Pedro Canário, condenado a mais de 25 anos de reclusão, e um feminicida do Mato Grosso, que se escondia em São Roque do Canaã. Também foi capturado um homem condenado por estupro, que estava foragido há 14 anos, em Minas Gerais.
O gerente do Disque Denúncia (181), Paulo Expedicto Amaral, afirmou que a criação do Ciberlab dentro da subsecretaria de Inteligência fortalece as ações do Disque Denúncia. O laboratório é preparado para lidar com denúncias acerca de ameaças em escolas e também para monitorar casos de bullying e exploração sexual de crianças e adolescentes.
“A colaboração com a Secretaria de Educação já está em andamento, orientando diretores e professores a utilizarem o Disque Denúncia quando identificarem potenciais agressores. Com esta nova ferramenta, o Cyberlab poderá identificar se os indivíduos estão envolvidos com grupos da dark web ou deep web”, explicou Amaral.
Impacto e abrangência das operações
O delegado Leandro Barbosa, gerente de Operações Técnicas da SESP, destacou que o Cyberlab foi desenvolvido para dar suporte às investigações da Polícia Civil em casos como fraudes digitais, pedofilia e lavagem de dinheiro. “A primeira ação foi focada no levantamento de foragidos da Justiça que estavam sendo procurados há anos, abrangendo 25 municípios e resultando em 45 prisões”, afirmou o delegado.
As tecnologias do Ciberlab têm possibilitado a captura de criminosos condenados por delitos extremamente sérios. Durante as operações, foram realizadas prisões por crimes como estupro, homicídio, tráfico de drogas e outros delitos variados.
Com a implementação do Ciberlab, a SESP não apenas reafirma seu compromisso com a modernização da segurança pública, mas também com a neutralização do financiamento ao crime, utilizando a inovação tecnológica como ferramenta essencial para proteger a sociedade capixaba.
