A Estreia do Cetaf na Liga Ouro
Depois de um hiato de mais de 12 anos fora das competições nacionais, o basquete capixaba inicia um novo capítulo. O Cetaf-Vila Velha retorna à cena esportiva nesta terça-feira (24), fazendo sua estreia na Liga Ouro 2026, a divisão de acesso ao NBB. Essa volta reposiciona o Espírito Santo no mapa do basquete brasileiro, onde ele havia perdido seu espaço.
Este retorno encerra um longo período sem um representante capixaba em competições de alto nível, marcando o início de uma nova era. O estado, que já foi referência no basquete nacional, passou por desafios e agora busca reconquistar seu prestígio.
Do Hiato à Retomada
A última participação do Estado em uma competição dessa magnitude ocorreu em 2014, quando o Cetaf ainda era conhecido como Espírito Santo Basquete e competia na elite da modalidade. Filipinho Azevedo, o atual gestor do clube, também foi jogador durante a época de ouro do time e comentou sobre o momento que o Cetaf vive e essa reabilitação no cenário do basquete.
“A expectativa é imensa. Não só nossa, mas de toda a comunidade do basquete capixaba. Vivemos momentos grandiosos aqui, com participações no NBB, sempre tendo uma das maiores médias de público do Brasil. O apoio do público é fundamental e nos deixa imensamente felizes”, afirmou Filipinho, destacando a paixão local pelo esporte.
Foco na Formação de Base
Durante seu tempo fora dos holofotes, o basquete do Espírito Santo apostou em fortalecer projetos de base, competições locais e iniciativas amadoras, garantindo que a prática do esporte não se perdesse. O Cetaf, como um clube formador, teve uma participação destacada, incluindo sua atuação na Liga de Desenvolvimento (LDB) desde 2023, uma das principais competições de formação no país.
“A ausência foi um bom período para consolidar um trabalho de base. O crescimento dos campeonatos de base é evidente, e no Cetaf, cerca de três mil crianças praticam o esporte. Esse trabalho é a raiz que sustenta o nosso projeto profissional, permitindo que as crianças vejam o time adulto como um espelho”, continuou Filipinho.
Uma Nova Geração de Atletas
Ele também ressaltou que os jogadores que compõem o atual time profissional são os mesmos que conquistaram títulos brasileiros nas categorias sub-15, sub-17 e sub-19. Isso evidencia como a construção do projeto do Cetaf se baseia em atletas locais e na força de uma base sólida ao longo dos anos.
Rogério Machado, presidente da Federação Capixaba de Basquete (FECABA), reconheceu que o estado perdeu um pouco a referência do basquete profissional, mas também observou como esse tempo foi crucial para moldar uma nova geração de atletas.
“Com o retorno do Cetaf ao cenário nacional, nossa expectativa é que isso traga um novo olhar sobre o basquete no Espírito Santo. Mesmo fora do profissional, continuamos a trabalhar intensamente com as crianças. Isso mostra que o esforço valeu a pena. O Espírito Santo sempre foi berço de talentos, com jogadores convocados para seleções brasileiras”, comentou Rogério.
Fortalecimento das Competições Amadoras
Outro aspecto que contribuiu para o fortalecimento do basquete capixaba foi o crescimento das competições amadoras, como a Copa ES de Basquete, criada em 2015, e a Liga Capixaba de Basquete, surgida em 2019. Esses torneios organizam disputas em várias categorias, alimentando o desenvolvimento de novos atletas.
“O basquete amador é fundamental para nutrir essa cadeia de crescimento, desde o sub-12 até o sonho de chegar ao profissional. Conseguimos também resultados expressivos em competições universitárias e no feminino, incluindo conquistas nacionais”, destacou Rogério, reforçando a vitalidade do esporte na região.
Oportunidades de Investimento e Crescimento
A volta do Cetaf à Liga Ouro reabre portas para investimentos no basquete capixaba. A participação em uma competição nacional não só aumenta a visibilidade do esporte, mas também fortalece as marcas dos patrocinadores, criando um ambiente favorável a novas parcerias.
“A entrada do Instituto Viva a Vida e do CETAF ajudará na captação de recursos para as equipes, e é essencial que empresas e governo olhem com carinho para o basquete de alto rendimento”, disse Rogério, vislumbrando um futuro promissor.
Além disso, a reabilitação do esporte no cenário nacional pode impulsionar melhorias em infraestrutura, como a modernização de ginásios, melhores salários para atletas e a ampliação de projetos sociais vinculados ao esporte. O ciclo é sistêmico: mais investimentos geram mais competitividade, atraindo novamente o público e revitalizando toda a cadeia do basquete no Espírito Santo.
