Retomada do Caso Araceli
Em um vídeo impactante divulgado nas redes sociais na última segunda-feira (02), um influenciador capixaba relembrou um dos episódios mais trágicos da história brasileira: o assassinato de Araceli Cabrera Sanchez. O caso, que marca a trajetória do gênero True Crime no Brasil, ainda provoca reflexões sobre a violência e a impunidade.
No seu relato, o influenciador compartilha detalhes perturbadores do crime, que chocou toda a sociedade capixaba e nacional. O corpo da menina, que na época tinha apenas 8 anos, foi encontrado em um matagal após seis dias de desaparecimento, nas proximidades do Hospital Infantil, em Vitória, Espírito Santo. A investigação policial concluiu que Araceli havia sido drogada, estuprada, assassinada, desfigurada e, finalmente, queimada.
Iuri, o influenciador, também menciona denúncias que indicavam a influência dos acusados sobre as autoridades locais. Essa situação, segundo ele, comprometeu o andamento das investigações, que já enfrentaram a morte de testemunhas consideradas cruciais para esclarecer os fatos.
Coincidências Inquietantes
Após a publicação do vídeo, seguidores nas redes sociais começaram a comentar as coincidências macabras envolvendo o caso Araceli e o recente assassinato de Dantinho. Uma internauta expressou sua indignação ao afirmar: “Chocada, três dias após o seu vídeo, Dantinho foi encontrado decapitado e carbonizado em um sítio”. Outro seguidor ressaltou a importância do caso Araceli, destacando: “Sou capixaba e o caso Araceli chocou, não apenas o nosso Estado, mas o país. Realmente, ela nunca teve justiça”.
Recordando a Tragédia
Para compreender a relevância do caso Araceli, é essencial recordar os detalhes de sua história. Araceli desapareceu em 18 de maio de 1973, data que hoje simboliza a luta contra a violência infanto-juvenil no Brasil e o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A menina morava no Bairro de Fátima, na Serra, e saiu de casa para ir à escola, localizada na Praia do Suá, em Vitória.
Após as aulas, Araceli foi vista pela última vez em um bar, próximo ao cruzamento das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal. A partir daí, sua família começou a busca desesperada pela menina, que culminou na trágica descoberta de seu corpo.
A investigação policial revelou que a menina foi drogada, estuprada, assassinada, desfigurada e queimada, um crime que revoltou a sociedade. Três suspeitos foram indiciados após as investigações: Dante Brito Michelini, conhecido como Dantinho; seu pai, Dante de Barros Michelini; e Paulo Constanteen Helal, todos pertencentes a tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo.
Os Desdobramentos Legais
A acusação sugeriu que Araceli foi raptada por Paulo Helal e levada ao Bar Franciscano, onde foi mantida em cárcere sob efeito de drogas por dois dias. Neste período, ela teria entrado em coma e, consequentemente, morrido. Os dois Michelini foram acusados de descartar seu corpo em uma mata atrás do Hospital Infantil.
Durante as investigações, mais de 300 pessoas foram ouvidas, resultando em um volumoso processo de 33 volumes. Contudo, alegações sobre a forte influência dos acusados sobre a polícia dificultaram as apurações, e testemunhas fundamentais acabaram morrendo em circunstâncias misteriosas.
Em 1980, Dantinho e Paulo foram condenados a 18 anos de prisão, enquanto Dante de Barros Michelini recebeu uma sentença de 5 anos por cumplicidade. Entretanto, essa decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Em 1991, após um novo julgamento, os três foram absolvidos por falta de provas, e até os dias atuais, ninguém foi responsabilizado pelo assassinato de Araceli. O Ministério Público chegou a recorrer da decisão, mas a absolvição foi mantida, e o crime prescreveu em 1993.
