Escolas de Samba do Carnaval de Vitória 2026: Uma Celebração Cultural
O Carnaval de Vitória 2026 promete ser repleto de homenagens e uma forte conexão com a cultura brasileira. A Pega no Samba levará para a avenida o enredo “Okê Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”, que destaca a figura do Caboclo Sete Flechas, símbolo de proteção e sabedoria dos povos originários, além de ressaltar a importância da preservação ambiental. A narrativa aborda a relação intrínseca entre os seres humanos e a natureza, ressaltando a comunhão entre a terra, a fauna e a flora. Assim, surge um líder mítico que, após sua morte, se transforma em uma entidade espiritual ligada à cura e à justiça.
Com a assinatura do carnavalesco Jorge Mayko, o desfile propõe uma reflexão sobre a proteção da natureza e o combate à intolerância religiosa, valorizando nossas raízes culturais como essenciais para o equilíbrio coletivo.
O Enredamento da Novo Império
A Novo Império também se destaca com o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, que explora a força feminina como um elo entre a espiritualidade, a ancestralidade e a natureza. Situada em um território mítico do Espírito Santo, a narrativa surge do encontro entre xamãs africanas e guerreiras indígenas, que são apresentadas como guardiãs de saberes essenciais para a cura e a proteção do meio ambiente.
A personagem central, Aruanayê, simboliza um pacto coletivo de resistência diante das ameaças culturais. Sob a lua cheia, o desfile assinado pelo carnavalesco Osvaldo Garcia percorre rituais e batalhas espirituais, mostrando a força e a proteção que a união dessas guardiãs proporciona.
Unidos de Jucutuquara: Uma Nova Narrativa
A Unidos de Jucutuquara terá como tema o enredo “Arreda homem que aí vem mulher”, que traz à tona a figura de Maria Padilha, entidade das tradições afro-brasileiras, conhecida por sua ligação com encruzilhadas e transformações. O carnavalesco Marcelo Braga constrói uma narrativa que retrata Padilha como um símbolo de força ancestral, ressignificada continuamente pela oralidade e cultura popular.
O desfile vai além da homenagem e propõe um manifesto educativo, utilizando a força de Maria Padilha para falar sobre lutas contemporâneas contra o machismo e a intolerância religiosa.
Explorando a Natureza com a Mocidade Unida da Glória
A Mocidade Unida da Glória (MUG), por sua vez, apresentará “O diário verde de Teresa”, inspirado na princesa e cientista Teresa da Baviera, que explorou o Espírito Santo em 1888. O desfile, coordenado pelo carnavalesco Petterson Alves, acompanhará a jornada da naturalista por rios e matas, destacando a fauna e flora do estado.
Com um enredo que transita entre o real e o encantado, a narrativa também traz à tona os aprendizados compartilhados pelos povos originários e os alertas sobre as ameaças ambientais contemporâneas.
A Imperatriz do Forte e a Roda da Vida
A Imperatriz do Forte traz o enredo “Xirê: festejo às raízes”, celebrando as tradições africanas e afro-brasileiras que se manifestam nas danças e na espiritualidade. O desfile, assinado por Marcus Paulo, destaca como a roda ritual é fundamental para a organização do tempo e da vida nas culturas africanas, especialmente entre os iorubás, bantos e jejes.
O enredo mostra como essas manifestações culturais se mantiveram vivas no Brasil, mesmo em meio à violência da escravidão, resultando em expressões como o samba de roda e o jongo, que preservam o sagrado nas festas populares.
Rosas de Ouro: A História de São Mateus
“Cricaré das origens – O Brasil que nasce em São Mateus” é o enredo da Rosas de Ouro, que narra a trajetória da segunda cidade mais antiga do Brasil. Sob a batuta do carnavalesco Robson Goulart, o desfile aborda desde o período pré-colonial, passando pela chegada dos portugueses, até a formação da identidade cultural do município, ressaltando a importância das culturas indígena e afro-brasileira.
O Rio Cricaré será o eixo central da narrativa, simbolizando a história e a resistência cultural da região.
Unidos da Piedade: Uma Ode à Música Capixaba
Com o enredo “O Canto Livre de Papo Furado”, a Unidos da Piedade traz uma homenagem ao cantor Edson Papo Furado, um dos maiores nomes da música capixaba, transformando sua trajetória em um manifesto musical sobre resistência e liberdade. O desfile do carnavalesco Vanderson César percorre a história da agremiação, enfatizando a importância do samba como expressão cultural e de fé.
Independente de Boa Vista: Resgate Cultural
A atual campeã, Independente de Boa Vista, apresentará “João do Congo – A Voz que Dança nas Folhas da Resistência”, com um enredo que destaca a cultura do Congo como uma das bases da identidade capixaba. O carnavalesco Cahê Rodrigues coloca João Bananeira no centro da narrativa, representando a união do sagrado e do popular na música e na dança.
Chegou o Que Faltava: Reflexão sobre a Existência
“Orí – Sua Cabeça é Seu Guia” é o tema da Chegou o Que Faltava, que propõe uma profunda reflexão sobre a cosmovisão iorubá. O enredo, sob a direção de Roberto Monteiro, convida o público a olhar para dentro de si, ressaltando a importância do cuidado integral e a singularidade de cada indivíduo na construção de seu destino.
Andaraí: Uma História de Comunidade
Por fim, a Andaraí apresentará “01/12/46”, revisitando sua fundação através da lente da ancestralidade e espiritualidade. O desfile do carnavalesco Alex Santiago relembra momentos marcantes da história da escola, ressaltando sua ligação com a comunidade e o futebol de várzea, mostrando a capacidade de reinvenção ao longo do tempo.
