Investigação em Foco: Ação de Callegari
Na última segunda-feira (2), o deputado estadual Callegari, do DC, protocolou três representações em busca da abertura de um inquérito que investiga possíveis crimes atribuídos ao governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e ao desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, que atua no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Os pedidos foram encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao Procurador-Geral da República e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Essas representações se fundamentam em desdobramentos da Operação Baest, que foi iniciada pela Polícia Civil do Espírito Santo em maio de 2025. Esta operação teve como alvo investigar o suposto “braço financeiro” da facção criminosa Primeiro Comando da Vitória (PCV). O empresário Adilson Ferreira, indiciado por lavagem de dinheiro, foi um dos principais alvos da investigação. De acordo com os documentos apresentados, mensagens extraídas do celular do empresário sugerem diálogos com o desembargador Júdice e tratativas que podem estar envolvidas em interesses no âmbito estadual.
As representações destacam que o relatório final da Operação Baest foi concluído em 24 de setembro de 2025. Logo após essa data, ocorreram mudanças significativas na estrutura da Polícia Civil, com a remoção ou transferência de delegados que estiveram diretamente envolvidos na investigação. Entre os delegados mencionados estão Romualdo Gianordoli Neto, que atuava como subsecretário de Inteligência, e outros como Alan Moreno de Andrade, José Lopes Pereira e Ricardo de Almeida Soares.
Além disso, os documentos citam matérias publicadas por veículos de comunicação nacionais que indicam que a Polícia Federal teria encontrado mensagens diretas entre o governador Casagrande e o desembargador Júdice, sugerindo um “ambiente de reciprocidade” e uma potencial troca de favores. Essas conversas envolvem pedidos de “rapidez, atenção e carinho” em relação a uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Montanha, que é aliado político do governo estadual.
Possíveis Crimes e Demandas do Deputado
Na sua representação, Callegari aponta que os fatos sugerem, em tese, a prática de crimes como corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação e obstrução da Justiça. “Não se trata de uma mera disputa política. Aqui, o que está em jogo é a credibilidade das instituições. Quando surgem indícios que envolvem o chefe do Executivo estadual e um membro do Judiciário, o silêncio se torna cumplicidade. A Constituição nos impõe o dever de agir”, defendeu o deputado.
Além de solicitar a abertura formal do inquérito, Callegari pede também a oitiva das autoridades que atuaram na Operação Baest, além de diligências que incluiriam a quebra de sigilo e buscas e apreensões. O deputado quer ainda que as provas já coletadas sejam compartilhadas e que o Ministério Público Federal seja comunicado sobre o caso. De forma cautelar, ele requisita o afastamento dos investigados de seus cargos, caso as autoridades considerem necessário para garantir a integridade das investigações.
O parlamentar enfatiza a importância da transparência no caso: “Se nada ocorreu, que se investigue e se esclareça. Mas, se houve troca de favores, interferências ou blindagem política, isso deve ser exposto. A sociedade capixaba não pode viver sob suspeitas tão graves em relação a seus Poderes. Estou lutando para que uma CPI seja instaurada na Assembleia Legislativa para investigar essa relação entre um governador e um juiz federal acusado de corrupção em diversas formas”, afirmou.
Respostas de Casagrande e O cenário Pré-Eleitoral
Em coletiva de imprensa, Renato Casagrande negou qualquer irregularidade e alegou que a conversa mantida com o desembargador Macário foi de caráter institucional. “Já mencionei o teor da minha conversa com o desembargador Macário. Foi uma conversa transparente e pública, que posso compartilhar com todos vocês. O diálogo foi institucional e republicano, sem interesses pessoais, visando apenas minimizar as instabilidades políticas no município para que possamos continuar nosso trabalho”, declarou Casagrande.
