Brasil Expande Horizonte Agrícola com Culturas Emergentes
No cenário agrícola, o Brasil sinaliza um passo ousado ao diversificar suas plantações além da tradicional soja. Com o aumento do interesse por culturas como a carinata, que serve como matéria-prima na produção de biocombustíveis, o país assume um papel de destaque na agricultura global. A carinata, junto a outras culturas emergentes, está se firmando como uma alternativa viável na segunda safra, que se inicia em março e vai até julho.
Essas culturas emergentes incluem sorgo, gergelim, lúpulo e canola, que estão se mostrando essenciais para diversificar a produção agrícola, permitindo que os agricultores busquem novas fontes de receita sem a necessidade de desmatamento. Segundo Bruno Laviola, engenheiro agrônomo da Embrapa Energia, a segunda safra representa uma nova fronteira agrícola para o Brasil, que tem mais de 80 milhões de hectares cultiváveis, uma área equivalente à da Turquia.
A soja, que ocupa 47 milhões de hectares na safra 2024/2025, deve aumentar para cerca de 49 milhões na próxima safra. O milho, por sua vez, ocupará 4 milhões de hectares na primeira safra, deixando mais de 50 milhões de hectares disponíveis para a segunda safra, onde novas culturas podem ser implementadas.
Produtores Apostam na Carinata
Jonis Santo Assmann, agricultor de Mato Grosso do Sul, é um exemplo de quem está apostando na carinata. Com um histórico de 15 mil hectares de soja e milho, ele decidiu diversificar sua produção e plantou 700 hectares de carinata este ano, colhendo valores variando de 12 a 25 sacas por hectare. “Conheci a carinata em uma viagem à Argentina e decidi experimentar aqui. É uma alternativa interessante para a receita”, relata Assmann.
A Nufarm, uma multinacional australiana, tem liderado a introdução do cultivo de carinata no Brasil. Philipp Herbst Minarelli, gerente de canola e carinata da empresa, explica que a planta, com um ciclo de 130 a 150 dias, é uma aposta para abastecer o crescente mercado de biocombustíveis. “Estamos observando um aumento significativo no interesse por essa cultura, com a expectativa de cultivar 300 mil hectares a curto prazo”, destaca Herbst.
Sorgo e Outras Culturas em Alta
Além da carinata, o sorgo também ganha destaque. Este cereal, que se adapta a climas secos e solos menos férteis, começa a ser utilizado não apenas para a produção de ração animal, mas também para a fabricação de etanol. Em estados como Goiás e Minas Gerais, o sorgo se torna uma escolha estratégica para diversificação. Usinas para fabricação de etanol a partir do sorgo estão começando a surgir, especialmente no Maranhão e na Bahia.
O crescimento do cultivo de gergelim em Mato Grosso também merece menção, com áreas plantadas atingindo 600 mil hectares, sendo uma alternativa rentável, especialmente com a demanda crescente da China. Além disso, a canola, uma cultura que já predominava no Rio Grande do Sul, começa a se expandir para o Cerrado, aumentando a área plantada de 50 mil hectares há três anos para 220 mil hectares neste ano.
Oportunidades e Desafios para o Agronegócio
Os dados recentes revelam uma realidade desafiadora para o agronegócio. Apesar do potencial de crescimento, alguns produtores relatam dificuldades em obter lucro devido aos altos custos de insumos e taxas de juros elevadas. Entretanto, com o avanço das culturas emergentes, há um otimismo cauteloso. Segundo Luciane Chiodi Bachion, da Agroicone, as igrejas emergentes, especialmente aquelas voltadas para biocombustíveis, são cruciais na transição energética do Brasil. O país já possui tecnologias consolidadas, como a do etanol, que utiliza cana e milho em larga escala, e agora busca expandir esse know-how para novas culturas.
O cenário é promissor e, com as novas estratégias agrícolas, o Brasil pode não apenas aumentar sua produção interna, mas também se firmar como um exportador de produtos acabados, movimentando ainda mais a economia do campo e contribuindo para um futuro mais sustentável.
