Marchinhas e Protestos em Defesa da Identidade Local
Na tarde de terça-feira, 17 de fevereiro, o tradicional Bloco Surpresa tomou as ruas da Barra do Jucu, em Vila Velha, para celebrar quatro décadas de história. Com uma multidão animada, o bloco trouxe às avenidas críticas contundentes sobre a demolição de imóveis localizados na Praia do Barrão. Sob o tema “No Reino Barrense, a Coroa é do Povo”, os foliões apresentaram marchinhas autorais que, além de divertir, destacaram questões importantes para a comunidade local.
A principal crítica do bloco foca no pedido do Ministério Público Federal (MPF) que envolve a demolição de 18 casas construídas na área de preservação permanente da Praia do Barrão. Durante o desfile, mensagens de protesto ficaram visíveis, com cartazes e faixas exibidos por moradores nas casas ao longo do trajeto, clamando por diálogo e respeito à identidade cultural.
O fotojornalista Thiago Soares, do Folha Vitória, capturou momentos marcantes do desfile, onde se podiam ler faixas como: “Requalificação urbana com inclusão social”, “Pedimos diálogo, não demolição” e “Mais comunicação e menos demolição! Nós temos voz!”. Essas mensagens refletem a angústia e a luta dos moradores da região, que temem pela perda de seus lares e de sua história.
A controvérsia em torno das demolições ganhou destaque devido à ação do MPF, que busca a remoção de construções irregulares na área de proteção. Contudo, em uma decisão recente, a Justiça Federal do Espírito Santo suspendeu parcialmente essa determinação, permitindo que as residências, que existem há mais de 40 anos, continuem habitadas por famílias em situação de vulnerabilidade social, incluindo idosos e crianças.
Os moradores argumentam que esses lares não são apenas imóveis, mas sim o centro de núcleos familiares consolidados. A luta pela preservação desses espaços reflete um desejo de manter a comunidade unida e a cultura local viva. O desfile do Bloco Surpresa, portanto, não foi apenas uma celebração, mas também uma manifestação do poder da voz popular em tempos de incerteza.
O evento de Carnaval se transformou em uma plataforma de resistência, onde a música e a folia se misturaram à luta social. Com histórico de engajamento, o Bloco Surpresa mostrou que, por meio da arte e da cultura, é possível levantar questões relevantes e unir a população em torno de uma causa comum.
As comemorações do aniversário de 40 anos do bloco não apenas celebraram o passado, mas também vislumbraram um futuro onde a cultura local e a comunidade possam prosperar sem o temor de demolições e desintegrações sociais. A mobilização em defesa dos direitos e do espaço de vida dos moradores da Barra do Jucu promete continuar, mostrando que, no espírito do Carnaval, a luta pela preservação e inclusão será sempre uma prioridade.
