Dados Alarmantes sobre Moradia no Espírito Santo
Com a proximidade da Campanha da Fraternidade, que neste ano traz o tema “Fraternidade e Moradia”, a Arquidiocese de Vitória fez um levantamento preocupante: 71 mil pessoas estão sem casa nos 14 municípios de sua atuação. Essa pesquisa abrange localidades como Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Fundão e Guarapari, na região metropolitana, além de cidades do sul, como Anchieta e Brejetuba, e da região serrana, incluindo Alfredo Chaves, Marechal Floriano, Domingos Martins, Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá.
Além do número alarmante de pessoas sem moradia, o relatório revela que cerca de 26 mil indivíduos habitam em condições precárias. Essas moradias abarcam espaços superlotados e inadequados para a habitação. Os dados foram coletados através do Cadastro Único (CadÚnico), e o coordenador da campanha, João José Barbosa Sana, indica que os números podem ser ainda maiores, uma vez que muitos indivíduos sem residência não estão registrados no sistema.
A Dignidade do Direito à Moradia
João José destaca que a Campanha da Fraternidade deste ano procura reforçar a ideia de que a dignidade humana deve ser garantida pelo direito à moradia. Ele menciona que em 2025 o tema foi “A Casa Comum”, refletindo a necessidade de cuidar do nosso planeta, e este ano, a ênfase recai sobre a casa de cada pessoa, elemento que não pode ser dissociado da “Casa Comum”. O integrante da campanha ressalta a importância de políticas públicas que incluam saneamento básico e acessibilidade.
Giovani Lívio, também membro da coordenação, critica a ineficácia das políticas habitacionais nas prefeituras da região atendida pela Arquidiocese. Ele relembra que, no último ano, a gestão do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), e do governador Renato Casagrande (PSB) não conseguiram providenciar moradia adequada para os habitantes da ocupação Vila Esperança, localizada em Jabaeté, Vila Velha.
Despejos e Soluções Emergenciais
No ano passado, moradores da ocupação foram despejados após uma ordem de reintegração de posse emitida pelo juiz Manoel Cruz Doval, da 6ª Vara Cível de Vila Velha. A decisão foi cumprida em setembro, quando cerca de 80 pessoas que viviam na comunidade Vila Esperança acamparam em frente ao Palácio Anchieta, em Vitória, por quase um mês, buscando uma solução para sua situação. Eles foram removidos do local por uma ordem do juiz Carlos Magno Moulin Lima, que determinou a retirada do acampamento para garantir a posse do local.
Atualmente, essas famílias se encontram em Ponta da Fruta, residindo em um condomínio abandonado, refletindo a fragilidade das políticas habitacionais na região.
Moradia Primeiro: Uma Nova Abordagem
Júlio César Pagotto, da Pastoral do Povo de Rua, destaca que o foco da Campanha da Fraternidade está intimamente ligado à realidade das pessoas em situação de rua. Segundo ele, o Espírito Santo, assim como a maior parte do Brasil, enfrenta a falta de políticas adequadas para este grupo vulnerável. A pastoral propõe uma abordagem chamada Moradia Primeiro, que prioriza a oferta de moradia antes de implementar outras políticas sociais.
“Moradia deve ser a primeira etapa. Se uma pessoa necessita de tratamento de saúde, como poderá buscá-lo sem um lar? E se precisa de emprego, como trabalhar sem um lugar seguro para descansar à noite? A realidade, infelizmente, é que a moradia ocupa o último lugar nas prioridades”, critica Júlio César.
A Campanha da Fraternidade terá sua abertura no próximo dia 22 de fevereiro, às 15h, no ginásio Dom Bosco, em Vitória, e promete ser um espaço de reflexão e ação em prol da moradia digna para todos.
