Aliança Estratégica no Cenário Político Capixaba
No Espírito Santo, a União Progressista (UP) confirmou hoje seu apoio a Ricardo Ferraço na corrida pelo governo estadual. Esse movimento populariza a aliança que, até então, gerava interesse tanto no grupo político do atual governador, Renato Casagrande, quanto no do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que também se lança como pré-candidato ao cargo.
O PP, partido de destaque na federação formada, já estava integrado à gestão de Casagrande por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e na administração municipal, uma vez que elegeu a vice-prefeita, Cris Samorini (PP), que também comanda a pasta de Desenvolvimento da Cidade e Habitação. Com isso, o partido possui influência em ambas as esferas de poder.
A articulação para que a federação tomasse essa decisão, que culminou no apoio a Casagrande, começou há mais de um ano. Essa estratégia envolveu a negociação de espaços na gestão estadual, apoio em projetos na Assembleia Legislativa, sugestões para a composição da chapa federal e discussões sobre as disputas nas esferas majoritárias.
Transformações na Sedurb e Relações Partidárias
Histórica na base de Casagrande, a presença do PP se estabeleceu desde 2010, quando o socialista foi eleito pela primeira vez ao Palácio Anchieta. O partido manteve esse apoio nas eleições subsequentes, em 2014, 2018 e 2022. Entretanto, uma mudança significativa ocorreu recentemente.
Em 2023, ao assumir a presidência do PP, o deputado federal Josias da Vitória (PP) substituiu Marcus Vicente, que até então era o fiador da aliança. Essa transição gerou uma certa tensão na relação entre o PP e o governo, pois a aproximação de Da Vitória com adversários, incluindo Pazolini, criou incertezas sobre o apoio do partido à gestão atual.
Visando fortalecer a aliança e garantir a continuidade do PP na base, Casagrande se reuniu com Da Vitória. A partir desse encontro, um acordo foi firmado que resultou na indicação de um novo nome para a Sedurb, aceito pelo governador, o que assegurou a presença do PP na gestão.
Marcelo Santos e a Construção de Alianças
Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa, também figurou como peça chave na nova configuração política. Digamos que ele enfrentava duas frentes: a luta pelo comando estadual do União Brasil e a manutenção da presidência da Assembleia. Sua decisão de apoiar Ricardo Ferraço e Casagrande se tornou estratégica, visto que poderia garantir um Legislativo colaborativo ao novo governo.
Na tentativa de estreitar laços, Marcelo facilitou um encontro entre o presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, e os líderes capixabas em Brasília. Durante esse diálogo, foi garantido o apoio do partido para 2026 em troca da continuidade de Marcelo como presidente da Assembleia.
Expectativas para a Chapa Federal e as Disputas Majoritárias
Em recente entrevista, Marcelo Santos enfatizou a importância da colaboração entre as legendas para viabilizar o apoio ao projeto governamental. Ele ressaltou que um gesto concreto do governo na construção da chapa federal era essencial, acenando com nomes que poderiam integrar essa composição.
O retorno do apoio do PP foi reforçado com a filiação de deputados federais e aliados ao bloco, além da adesão de Enio Bergoli, secretário de Agricultura, que se uniu ao PP visando concorrer à Câmara Federal. Essa movimentação reflete as tratativas que o Palácio Anchieta vem realizando para garantir um espaço significativo nas próximas eleições.
Ainda não há definições sobre quem será o vice na chapa de Ricardo ou o segundo nome para compor a candidatura ao Senado, mas a federação já lançou, informalmente, o nome de Da Vitória na mesa de discussões. A expectativa é de que essa aliança, agora concretizada, traga nova dinâmica ao cenário político capixaba e facilite a tramitação de projetos no Legislativo.
