Sentença Quebrando o Silêncio de 20 Anos
O juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira foi sentenciado a 24 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em março de 2003. A decisão foi proferida durante uma sessão no Salão Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em Vitória, na tarde desta quinta-feira (12). O desembargador Fábio Brasil Nery, responsável pelo relatório do caso, também votou pela perda do cargo e pela cassação da aposentadoria de Leopoldo, proposta que foi acatada por todos os magistrados presentes na Corte.
Dessa forma, Antônio Leopoldo não apenas terá que cumprir a pena, como também perderá os privilégios e os vencimentos de sua função como juiz aposentado. Essa sentença marca um importante passo na busca por justiça em um caso que se arrasta há mais de duas décadas.
O Último Réu Julgado
Antônio Leopoldo foi o último dos réus a ser julgado pelo assassinato de Alexandre Martins de Castro Filho. O crime, que chocou a sociedade capixaba, ocorreu em 24 de março de 2003 e envolveu uma denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que apontou o magistrado como um dos mandantes do homicídio.
A defesa de Leopoldo argumentou que o juiz assassinado teria sido vítima de um latrocínio, mas essa argumentação foi prontamente rejeitada pelo relator e pelos demais desembargadores, que optaram por manter a versão apresentada pela acusação. A situação revela a complexidade do caso e a relevância da justiça na elucidação de crimes que envolvem figuras públicas.
Expectativa de Justiça
O julgamento atraiu a presença de Alexandre Martins, pai do juiz assassinado, que ao chegar ao TJES expressou sua expectativa após 23 anos aguardando por essa decisão judicial. Seu relato destaca a dor e o sofrimento de uma família que ainda clama por justiça.
Alexandre Martins de Castro Filho foi assassinado com três disparos de arma de fogo quando chegava a uma academia no bairro Itapuã, em Vila Velha. Ao todo, dez pessoas foram acusadas de envolvimento no crime, com Antônio Leopoldo sendo o último a enfrentar o tribunal. Ele continua a negar as acusações que pesam sobre ele.
Um Processo Longo e Conturbado
Devido a uma série de recursos apresentados pela defesa em instâncias superiores, o julgamento de Leopoldo foi adiado diversas vezes, refletindo a lenta tramitação da Justiça. Finalmente, o caso foi levado a julgamento nesta quinta-feira (12), um marco que encerra um capítulo doloroso na história do judiciário do Espírito Santo.
A primeira menção ao nome de Antônio Leopoldo surgiu em investigações policiais em 2005, e após ser ouvido, ele foi preso preventivamente e mantido em uma unidade da Polícia Militar em Vitória. O juiz passou mais de oito meses detido até que conseguisse um habeas corpus, um reflexo da complexidade e das reviravoltas que o caso enfrentou ao longo dos anos.
