A Humanização dos Pets e o Mercado Imobiliário
No atual cenário imobiliário, a presença de animais de estimação se tornou um elemento crucial para as decisões de compra, especialmente em empreendimentos de luxo. Os pets, que antes eram apenas companheiros, agora ocupam um espaço significativo na rotina das famílias, refletindo uma transformação no comportamento dos consumidores.
Esse fenômeno, conhecido como humanização dos pets, leva incorporadoras e construtoras a repensar o conceito de habitação, investindo em ambientes e serviços que priorizam o bem-estar animal. Com um número crescente de tutores que consideram seus bichinhos como membros da família, o mercado imobiliário se adapta a essa nova demanda, buscando soluções que atendam a esse público.
Um Novo Membro da Família
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil abriga mais de 160 milhões de animais de estimação. No Espírito Santo, onde se encontra a capital Vitória, são mais de três milhões de pets, sendo cães, gatos e aves os mais comuns. Essa estatística reflete a forte presença de animais nos lares brasileiros e o impacto que isso tem nas decisões de compra de imóveis.
A empresária Rose Belloti, tutora do Lulu da Pomerânia Chico, de nove anos, exemplifica bem essa mudança. Chico, que entrou na vida da família através de um pedido da filha, acabou se tornando o companheiro preferido de Rose. “Eu trabalhava em home office e tinha mais tempo com ele, então a proximidade foi acontecendo naturalmente”, conta. Para Rose, Chico é mais do que um animal de estimação; ele é como um filho, e sua presença influencia seus hábitos diários.
Expansão do Mercado Pet
A relação entre humanos e animais de estimação vai além do afeto. Um estudo da Associação Americana de Psiquiatria revelou que 90% das pessoas veem seus pets como parte da família, e 86% afirmam que a presença deles traz benefícios para a saúde mental. Essa conexão tem gerado um crescimento significativo no setor pet, que, segundo o Sebrae, conta com 4.176 empresas dedicadas a atender esse mercado, sendo 2.493 delas de microempreendedores. Em um ano, o número de empresas desse setor aumentou em 53%.
Victoria Ferraz, uma veterinária e proprietária de um pet shop de alto padrão, observa que os tutores buscam cada vez mais serviços e produtos de qualidade para seus animais. “Além dos cuidados tradicionais como banho e tosa, muitos clientes têm solicitado serviços como escovação dentária e hidratação”, aponta Victoria. Essa crescente demanda reflete o desejo dos tutores em proporcionar o melhor para seus pets, que são vistos como membros da família.
Pets Influenciando o Mercado Imobiliário de Luxo
Com a relação entre humanos e pets se solidificando, a influência dos animais de estimação nas decisões de compra de imóveis se torna evidente. Empreendimentos de alto padrão estão investindo em comodidades que atendem aos tutores. Por exemplo, o Taj Home Resort, um projeto de luxo da Grand Construtora, oferece um pet shop exclusivo e um pet park, além de serviços que atendem diretamente aos animais.
Eduardo Reis, gerente comercial da Grand Construtora, ressalta a importância de integrar os pets desde a fase inicial de planejamento dos empreendimentos. “Hoje, não dá mais para pensar em imóveis de luxo sem considerar que a família terá um animal de estimação”, afirma. Uma pesquisa da Viva Real revelou que 41% dos consumidores consideram fundamental que os imóveis aceitem animais, mostrando como a presença dos pets já se tornou uma prioridade nas escolhas de moradia.
O Impacto na Estrutura dos Empreendimentos
Antigamente, a aceitação de animais em condomínios era vista apenas como uma questão de convivência. Hoje, essa necessidade influencia o próprio projeto dos empreendimentos. Áreas e serviços voltados para pets estão se tornando cada vez mais comuns, evidenciando que o setor imobiliário está se adaptando a essa nova realidade.
Os animais de estimação deixaram de ser um detalhe. Agora, eles se tornaram parte central das decisões familiares. Com isso, empreendimentos que conseguem harmonizar o conforto humano com o bem-estar animal têm grandes chances de se destacar no mercado. Como diz Rose Belloti, “ele fica onde quiser na casa, porque a casa meio que virou dele também”.
