Um Novo Horizonte para o Agronegócio
O recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia promete trazer benefícios significativos para o setor do agronegócio, especialmente para a exportação de carnes. Um dos segmentos que se destaca é o de carne de frango e aves em geral, que poderá aumentar suas exportações em até 180 mil toneladas anuais, abrangendo todos os países do Mercosul. Com uma sólida experiência no setor, a Villa Germania, a maior produtora e exportadora de carne de pato, codorna e frango orgânico do Brasil, já está ativa no mercado europeu. A empresa, que possui duas granjas em Santa Catarina, atualmente exporta carcaças de aves e penas para fabricantes de travesseiros na Itália. De acordo com suas projeções, até 2028, os consumidores europeus deverão se familiarizar ainda mais com o magret, um prato tradicional francês feito com pato brasileiro. Para isso, a Villa Germania planeja embarcar 5 mil toneladas de carne de pato anualmente para a Europa, uma vez que o acordo esteja plenamente implementado, com tarifas zeradas sobre as carnes de aves, o que deve ocorrer em um período de cinco anos.
No que diz respeito à carne bovina, o Brasil já conta com uma cota que permite a exportação de até 10 mil toneladas anualmente, sujeita a uma tarifa de 20%. Porém, com o novo acordo, o Mercosul poderá exportar 99 mil toneladas, reduzindo a tarifa para apenas 7,5%. Essa mudança representa uma oportunidade valiosa para os produtores brasileiros, que poderão acessar um mercado europeu mais amplo e competitivo.
Desafios e Oportunidades no Setor de Carnes
No setor de carne suína, no entanto, o Brasil enfrenta um desafio adicional. A tarefa agora é convencer os consumidores europeus a aceitarem a carne de suínos que são alimentados com estimulantes para crescimento, substâncias que são proibidas na União Europeia. Uma alternativa viável seria a implantação de linhas de criação que atendam aos padrões exigidos pelo mercado europeu. O acordo atual prevê a importação de até 25 mil toneladas anualmente, com um custo de € 83 por tonelada, o que representa uma redução de 60% em relação ao preço das exportações que excedem a cota estabelecida.
Oportunidade em Tempos de Desafios
Embora a cota de 3 mil toneladas para a exportação de ovos possa parecer modesta, ela se apresenta em um momento oportuno, especialmente devido às barreiras tarifárias que emergiram nos Estados Unidos, onde o produto enfrentou uma taxação de 50% para entrar no mercado. Mesmo assim, em 2024, as exportações brasileiras de ovos alcançaram 40 mil toneladas, um aumento notável de 121% em relação ao ano anterior. Essa elevação mostra que os exportadores estão encontrando mercados alternativos e se adaptando às novas realidades do comércio internacional.
No geral, o acordo Mercosul-UE representa não apenas um avanço significativo para o agronegócio brasileiro, mas também uma oportunidade de expansão e diversificação das exportações. Os produtores estão se preparando para aproveitar essas novas possibilidades, ajustando suas estratégias e se adaptando às exigências do mercado europeu. As expectativas são grandes, e o setor está pronto para colher os frutos desse acordo, que promete fortalecer ainda mais a presença do Brasil no cenário internacional do agronegócio.
