Impactos da Retirada dos EUA da OMS
Nesta quinta-feira, 22 de dezembro, os Estados Unidos confirmam sua retirada oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa decisão ocorre em meio a críticas de que a saída poderá prejudicar tanto a saúde pública americana quanto a saúde global. Além disso, a ação contraria uma legislação interna, que obriga o país a pagar US$ 260 milhões em taxas devidas à agência de saúde da ONU.
A notificação de saída foi iniciada pelo ex-presidente Donald Trump logo no início de seu mandato, em 2025, através de uma ordem executiva. De acordo com as regras estabelecidas nos EUA, a notificação deve ser feita com um ano de antecedência e todas as obrigações financeiras precisam ser quitadas antes da retirada.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA declarou que a incapacidade da OMS em gerenciar e compartilhar informações sobre saúde pública resultou em prejuízos financeiros que somam trilhões de dólares para os Estados Unidos. Diante disso, o presidente tomou a iniciativa de cortar o envio de futuros recursos financeiros e apoio da administração americana à OMS.
“Os americanos já contribuíram de forma significativa a esta organização e as consequências econômicas são muito mais relevantes do que qualquer pagamento pendente”, ressaltou o porta-voz em um comunicado por e-mail.
Possibilidade de Retorno à OMS é Baixa
Nos últimos meses, vários especialistas em saúde global têm pedido uma reconsideração da decisão, incluindo o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que se manifestou em uma coletiva de imprensa recente. “Espero que os EUA reconsiderem e voltem a integrar a OMS”, expressou ele, enfatizando que a saída representaria uma perda tanto para os Estados Unidos quanto para o restante do mundo.
De acordo com a OMS, os EUA ainda não quitaram as taxas referentes aos anos de 2024 e 2025. Um porta-voz da organização informou que a discussão sobre a saída dos EUA e suas implicações será abordada no Conselho Executivo da OMS em fevereiro.
Lawrence Gostin, especialista em direito da saúde global da Universidade de Georgetown, destacou que a ausência dos EUA é uma violação clara das leis americanas. Contudo, ele acredita que é improvável que Trump enfrente consequências legais por sua decisão.
Perspectivas e Implicações da Saída
Bill Gates, presidente da Fundação Gates, uma das principais financiadoras de iniciativas de saúde global, compartilhou em uma entrevista durante o Fórum Econômico Mundial em Davos que não tem expectativas de que os EUA reavaliem sua decisão no curto prazo. “Não acredito que os EUA retornarão à OMS em um futuro próximo”, afirmou Gates, ressaltando a importância da organização para a saúde global.
A retirada dos EUA da OMS provoca uma crise orçamentária na organização, levando a cortes significativos, incluindo a redução do quadro de funcionários pela metade e a diminuição de diversas atividades. Tradicionalmente, os Estados Unidos têm sido o maior financiador da OMS, representando cerca de 18% do orçamento total da agência. A previsão é que a OMS reduza seu número de colaboradores em cerca de um quarto até o meio deste ano.
A OMS já havia estabelecido parcerias com os EUA ao longo do último ano, e a continuidade dessa colaboração agora se mostra incerta. Especialistas em saúde pública expressam preocupação com os potenciais riscos que essa saída representa para a saúde pública não apenas dos EUA, mas do mundo todo.
“A saída dos EUA da OMS pode enfraquecer os sistemas e colaborações que são essenciais para deteção, prevenção e resposta a ameaças à saúde”, advertiu Kelly Henning, líder do programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies, uma importante organização sem fins lucrativos sediada nos EUA.
