Aliança entre Produtores e Porto
A recente assinatura do termo de compromisso entre o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e o Porto da Imetame representa um marco para os produtores de café do Espírito Santo. Esta parceria possibilita que os agricultores participem ativamente da construção das soluções logísticas que escoarão sua produção. A inovação não reside apenas na infraestrutura física, mas na colaboração direta entre o setor produtivo e o operador logístico. Essa sinergia promete reduzir gargalos, aumentar a previsibilidade e liberar negócios que atualmente enfrentam limitações logísticas.
O café capixaba, em particular, possui uma dependência significativa do mercado externo. O Espírito Santo lidera a produção do café conilon e abriga importantes indústrias de café solúvel, além de cultivar café arábica. Apesar dessa robustez, os produtores enfrentam desafios históricos na exportação direta. A escassez de rotas internacionais a partir de Vitória força o uso de portos em Rio de Janeiro e Santos, o que eleva os custos e prolonga o tempo de trânsito, impactando negativamente a competitividade do setor.
Consequências da Logística Deficiente
Esse cenário logístico repercute diretamente sobre os produtores. Em anos de safra abundante, quando a produção cresce mais rapidamente do que o consumo interno, a exportação deveria atuar como uma válvula de escape. No entanto, a falta de uma logística eficiente significa que muitos volumes de café não conseguem ser escoados na hora certa, reduzindo a liquidez e pressionando os preços no mercado interno.
Impacto do Porto da Imetame na Logística do Café
Com a inauguração do Porto da Imetame, a expectativa é transformar essa dinâmica. A ampliação da oferta de contêineres, a chegada de um operador logístico global e a expansão das rotas internacionais devem contribuir para a diminuição dos custos logísticos. Essa mudança permitirá que mais café seja embarcado diretamente do Espírito Santo, criando condições para recuperar volumes que atualmente são desviados para outros estados e garantindo maior regularidade nas exportações.
Segundo Fabrício Tristão, presidente do CCCV, o termo de cooperação técnica formaliza um papel histórico da entidade na logística do café. “A estrutura portuária capixaba é o nosso diferencial para manter a competitividade como exportadores de café verde e de café solúvel. Atualmente, a logística é um dos principais limitadores do crescimento do setor”, afirma Tristão.
Vantagens da Cooperação Técnica
Ao permitir que exportadores e produtores colaborem no desenho da operação do novo porto, a iniciativa busca mitigar o risco de decisões desconectadas das necessidades do mercado. Essa abordagem tende a gerar ganhos de escala, reduzir a imprevisibilidade dos custos e proporcionar mais segurança nas vendas. O resultado esperado é uma combinação que se traduz em margens mais sustentáveis para os produtores capixabas e em uma maior capacidade do Espírito Santo de competir em um mercado global que se torna cada vez mais exigente.
