Saúde Mental: Um Desafio Contemporâneo
No Brasil, os transtornos mentais estão se tornando uma das principais razões para afastamento do trabalho, trazendo consequências diretas na produtividade. Um estudo realizado pela FIEMG em 2023 revela dados alarmantes: os problemas de saúde mental representam uma perda de 2,8% do PIB potencial do país, que equivale a R$ 282 bilhões anuais. Isso não afeta apenas as finanças, mas também o mercado de trabalho, a renda das famílias e a arrecadação pública.
De acordo com a pesquisa, aproximadamente 20% dos trabalhadores brasileiros convivem com algum tipo de transtorno mental, como ansiedade e depressão. Isso resulta em uma perda média de 51 dias de vida saudável por ano para cada profissional afetado, em função de afastamentos, diminuição da produtividade e presença no trabalho enquanto não estão bem — um fenômeno conhecido como presenteísmo. Essas questões têm um impacto direto na eficiência das empresas e nos custos operacionais.
Consequências Econômicas Aprofundadas
O estudo também ressalta que os efeitos econômicos dos transtornos mentais vão além do indivíduo. A pesquisa aponta para a perda de cerca de 801 mil postos de trabalho no Brasil e uma redução de R$ 165 bilhões na renda das famílias. Isso demonstra que a saúde mental é uma questão que transcende o âmbito social, tornando-se uma prioridade nas estratégias de gestão, segurança e saúde no trabalho (SST).
Camila Dulce Gorgulho Campos, analista de saúde e segurança do trabalho do SESI-MG, destaca que os transtornos mentais podem afetar a dinâmica empresarial de maneira silenciosa e gradual. O presenteísmo – quando o trabalhador está presente, mas não está realmente produtivo devido a problemas de saúde mental – é frequentemente um dos primeiros sinais desse desafio. Ele tende a aumentar os custos operacionais antes mesmo que os efeitos se tornem evidentes nas métricas tradicionais de desempenho.
“Quando um colaborador não está bem emocionalmente, é comum notar uma redução na concentração, maior número de erros e retrabalhos, além de conflitos entre os colegas”, explica Camila. Essa situação compromete a qualidade dos processos, a entrega de resultados e a segurança operacional, além de sobrecarregar as equipes e aumentar os riscos financeiros e humanos.
A Importância da Cultura do Bem-Estar
O estudo também menciona que os impactos dos transtornos mentais são sistêmicos, afetando o faturamento das empresas, reduzindo investimentos, diminuindo a produção e aumentando as demissões. Em Minas Gerais, por exemplo, as perdas são evidentes, impactando diretamente o emprego, a massa salarial e a arrecadação tributária.
Para enfrentar esses desafios, Camila defende que a adoção de uma cultura de bem-estar nas empresas é fundamental. Isso ajuda a mitigar riscos operacionais, aumentar o engajamento e criar ambientes de trabalho mais seguros e sustentáveis. “As empresas precisam adotar uma postura proativa em relação à promoção da saúde mental, assumindo um papel ativo de proteção e apoio social, em vez de serem vistas como agentes de adoecimento”, argumenta.
Diante desse cenário, a campanha Janeiro Branco ganha relevância ao enfatizar a necessidade de integrar a saúde mental nas políticas de SST. O enfoque deve ser na prevenção, na gestão de riscos psicossociais e na promoção da qualidade de vida no ambiente profissional.
A mensagem é clara: cuidar da saúde mental não deve ser encarado como um custo, mas como um investimento, com impactos diretos na produtividade, segurança do trabalho e competitividade das empresas.
Acesse o estudo completo realizado pela FIEMG para mais informações.
