Tratamento Inovador em Caso de Lesão Medular
Um idoso de 70 anos, que se acidentou ao cair de um telhado, está internado no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) em Vitória e recebeu a medicação polilaminina no último sábado (17). Após a queda, o homem sofreu uma lesão completa na medula, resultando na perda total da sensibilidade e dos movimentos abaixo do nível da lesão.
O subsecretário de Estado de Regulação do Acesso em Saúde, Gleikson Barbosa, conhecido como Kim, informou que a polilaminina é um medicamento em fase experimental. Derivado de uma proteína da placenta humana, o tratamento tem como objetivo estimular a reconexão dos neurônios após lesões na medula. Kim ressaltou que a substância ainda está em testes clínicos e, por essa razão, é aplicada apenas em casos muito específicos e sob critérios rigorosos.
“São pacientes com indicação clínica clara de trauma medular, que correm risco de evoluir para quadros de paraplegia ou tetraplegia”, afirmou o subsecretário, enfatizando a necessidade de adoção de cuidados especiais para o tratamento.
O Espírito Santo foi escolhido para a aplicação da polilaminina devido à sua estrutura organizada no setor de saúde, o que facilitou a parceria com uma universidade do Rio de Janeiro e garantiu o acompanhamento técnico adequado dos casos. O idoso internado é o terceiro paciente do Estado a receber essa medicação inovadora. Antes dele, Vinícius Brito França também recebeu a polilaminina no dia 7 de janeiro e permanece no mesmo hospital, sob vigilância clínica e neurológica.
Luiz Fernando Mozer, que é paraplégico, foi o primeiro capixaba a ser tratado com a proteína, tendo recebido a aplicação no dia 13 de dezembro na Santa Casa de Misericórdia, em Cachoeiro de Itapemirim. Atualmente, ele se encontra em tratamento de reabilitação no Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes).
Estudos em andamento buscam verificar o potencial da polilaminina em estimular a regeneração neural, especialmente em casos de lesão medular. Contudo, é importante frisar que a substância ainda está em fase de pesquisa, sem comprovação científica definitiva de eficácia e segurança em larga escala. Por essa razão, não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No Espírito Santo, as aplicações da polilaminina foram realizadas exclusivamente com autorização judicial, permitindo o uso excepcional do medicamento por equipes de pesquisa e em contextos específicos, sempre sob rigoroso acompanhamento médico. O subsecretário Kim destacou que “a polilaminina pode revolucionar a medicina, gerando esperança para muitos pacientes”.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em resposta ao avanço das pesquisas e ao surgimento de novas terapias inovadoras para tratar condições clínicas complexas, o Espírito Santo instituiu, por meio da Portaria Conjunta nº 58-S, um Grupo de Trabalho (GT) Intersetorial Estadual Preparatório para a Incorporação de Terapias Inovadoras.
