Movimentações no Campo Progressista
O cenário político no Espírito Santo passa por mudanças significativas. O deputado federal Paulo Folleto, do PSB, anunciou nesta sexta-feira (16) que não disputará a reeleição em 2026. Com essa decisão, a corrida eleitoral para a Câmara dos Deputados já ganha novos contornos, especialmente com a articulação de Helder Salomão, do PT, que está se preparando para sua candidatura ao governo do Estado. Dessa forma, duas posições importantes no campo progressista ficam abertas para novos nomes.
Em uma postagem nas redes sociais, Folleto refletiu sobre seus 28 anos de dedicação à vida pública e revelou ter enfrentado problemas de saúde, como um tumor na medula. Durante sua declaração, ele não deixou de criticar o que chamou de “altíssimo nível de corrupção” na política federal, além de mencionar “problemas administrativos” na gestão do presidente Lula (PT) sem citá-lo diretamente. Folleto argumentou que sua decisão de se afastar é uma oportunidade para “descansar”, mas garantiu que continuará apoiando a campanha do governador Renato Casagrande (PSB) para o Senado e do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) em sua candidatura ao governo.
A ausência de Folleto na disputa abre espaço para o PSB, que já conta com vários pré-candidatos a deputado federal, incluindo secretários estaduais. Entre eles estão Tyago Hoffmann, que é deputado estadual licenciado e ocupa o cargo de secretário de Saúde; Emanuela Pedroso, que comanda a Secretaria de Governo; e Vitor de Ângelo, da Educação. Outros secretários, como Bruno Lamas, Jacqueline Moraes e Victor Coelho, estão focados na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Potenciais Candidatos e Novas Alianças
Além desses nomes, o secretário de Cultura, Fabrício Noronha, também está na corrida, embora ainda sem partido definido. O PSB, em um movimento estratégico, busca atrair figuras que, diferente de Noronha, não estão estritamente alinhadas ao campo progressista, como os secretários de Segurança Pública e Defesa Social, Rafael Pacheco, e de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, que já foi filiado ao PSB mas tende a se juntar ao Podemos.
A saída de Folleto da cena política também abre oportunidades para outros candidatos de sua base eleitoral em Colatina. O deputado federal Da Vitória (PP), que obteve uma expressiva votação em 2022, pode usar essa ocasião para aumentar seu capital eleitoral, a menos que decida se candidatar a senador ou vice-governador, como rumores sugerem. Da Vitória tem proximidade com Folleto e pode se beneficiar da sua saída.
Outra figura em ascensão é a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos (PSD), que já anunciou sua pré-candidatura à Câmara Federal. Seu marido, Renzo Vasconcelos (PSD), foi o mais votado na cidade para a Câmara dos Deputados em 2022, porém não conquistou a vaga.
Os Rumos do PT no Estado
Por outro lado, Helder Salomão deverá abrir mão da reeleição não por uma escolha pessoal, mas em função de uma estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT), que busca estabelecer um palanque para apoiar a reeleição do presidente Lula no Espírito Santo. O desafio será encontrar esse suporte na frente governista liderada por Ricardo Ferraço.
Em 2022, a deputada Jack Rocha, também do PT, obteve uma votação considerável em Cariacica, que é a base eleitoral de Salomão. Ele, por sua vez, conquistou 120,3 mil votos, e a expectativa é que parte desse eleitorado migre para candidatos de outras legendas. O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), com forte presença em Cariacica, também está de olho em uma vaga na Câmara dos Deputados nas próximas eleições.
Outros deputados federais, como Messias Donato (Republicanos), Gilson Daniel (Podemos) e Gilvan da Federal (PL), também se destacaram nas urnas em Cariacica em 2022, o que torna o cenário ainda mais competitivo.
