Estatísticas Alarmantes de Mortes Suspeitas
Desde 2018, o Espírito Santo registrou um total de 1.592 mortes classificadas como suspeitas. Isso representa uma média de aproximadamente 200 casos por ano, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Somente até novembro do ano passado, foram contabilizadas 208 mortes nesta categoria.
As regiões de Grande Vitória e os principais polos do interior do estado concentram a maior parte dos registros, reunindo 61% dos casos nos últimos oito anos. Confira alguns números:
- Vitória: 396
- Serra: 177
- Cariacica: 157
- Vila Velha: 143
- Cachoeiro de Itapemirim: 95
- São Mateus: 64
- Colatina: 46
- Linhares: 45
- Guarapari: 43
- Aracruz: 24
- Viana: 20
Uma análise dos dados sugere que, em comparação aos onze primeiros meses de 2022, houve uma redução de 7,56% nos registros de mortes suspeitas este ano. Apesar dessa diminuição, o Espírito Santo ocupa a 16ª posição no ranking nacional de mortes desse tipo.
A distribuição das mortes suspeitas ao longo dos anos revela um cenário preocupante:
- 2018: 145
- 2019: 165
- 2020: 216
- 2021: 190
- 2022: 241
- 2023: 196
- 2024: 231
- 2025 (até novembro): 208
Dentre as vítimas, 1.156 eram homens, 378 eram mulheres e em 58 casos o gênero não foi especificado.
O que caracteriza mortes suspeitas?
O criminalista Fábio Marçal explica que mortes são consideradas suspeitas quando um corpo é encontrado sem sinais evidentes de violência, como ferimentos a bala ou cortes profundos. “Nesses casos, a causa da morte não é imediatamente atribuída a um crime. Pode ser um acidente, um suicídio ou até mesmo uma morte natural”, detalha.
Esses casos exigem uma investigação policial minuciosa e a realização de exames pelo Instituto Médico Legal (IML) para determinar a causa da morte. “A Polícia Científica também é acionada para realizar análises das lesões, verificando se houve ataque, resíduos encontrados no corpo e outras informações que podem esclarecer as circunstâncias da morte”, complementa Marçal.
Até que todas essas etapas sejam concluídas, a morte é classificada como um encontro de cadáver e, portanto, entra na estatística como morte suspeita, mesmo que não haja indícios de crime. Se a investigação concluir que houve homicídio, a classificação é alterada para homicídio doloso, conforme ressalta o especialista.
