Desafios e Oportunidades para Novos Empreendedores
No Espírito Santo, a abertura de novas empresas teve um crescimento expressivo de 13%. No entanto, especialistas ressaltam que essa agilidade não é sinônimo de sucesso garantido. Elementos como a má gestão, a falta de planejamento financeiro e o desconhecimento das obrigações fiscais continuam sendo barreiras significativas para os novos empreendedores.
A trajetória do empreendedor Jean Soares ilustra bem como a formalização pode ser um divisor de águas. A sua cervejaria, que hoje produz cerca de 5 mil litros mensalmente, começou de maneira improvisada, dentro de uma Kombi. Em 2016, durante uma viagem, ele decidiu tentar vender a bebida. A primeira produção foi modesta, com apenas 20 litros por mês, e as vendas iniciais ocorreram em eventos. Sem um espaço adequado para armazenamento, ele utilizava sua garagem e oferecia a cerveja para amigos, para evitar que estragasse.
Com o tempo, a demanda aumentou e surgiram oportunidades mais estruturadas, como um quiosque em um shopping. Atualmente, a cervejaria de Jean tem capacidade para produzir 6.500 litros por mês e já experimentou até 20 estilos diferentes de cerveja. Essa evolução levou Jean a mudar seu enquadramento de MEI para microempresa, devido ao crescimento do faturamento. “A transição foi simples e rápida. A parte contábil está mais acessível hoje em dia”, afirma.
A Revolução dos Contadores
Para Fabíola Cardoso, contadora com 20 anos de experiência, as mudanças no processo de abertura de empresas são notáveis. No início da sua carreira, levar um mês para formalizar um negócio era comum. Com a implementação do Simplifica-ES e do balcão único, a realidade é bem diferente. “Agora, faço tudo online. Assim que registro na Junta Comercial, os dados são automaticamente enviados para as autoridades competentes, incluindo o Corpo de Bombeiros”, explica.
Esse novo modelo gerou um aumento na busca pelos serviços contábeis. Fabíola destaca que a maior agilidade no processo de abertura permite que empreendedores que começaram como MEI consigam expandir seus negócios, como um vendedor de cerveja que agora possui duas cervejarias e um casal que saiu de uma pequena padaria para operar três estabelecimentos.
Dados que Confirmam o Avanço na Formalização
As estatísticas da Junta Comercial corroboram essa mudança de cenário: atualmente, 73% das novas constituições são analisadas em até 10 minutos, enquanto 90% são concluídas em até uma hora. Essa eficiência é resultado da automação promovida pelo sistema integrador do Simplifica-ES.
Os municípios de Vitória, Vila Velha e Serra lideram a abertura de empresas, com 5.250, 4.201 e 3.288 registros, respectivamente, representando quase metade do total de novas formalizações no estado. As áreas mais frequentes para novos empreendimentos incluem serviços de escritório, treinamentos profissionais, atividades médicas e comércio varejista.
Digitalização e Integração: O Futuro do Empreendedorismo
A Secretaria de Desenvolvimento do Estado (Sedes) aponta que a digitalização e a entrada única de dados são pilares do novo modelo de abertura de empresas. Agora, todos os processos da Junta Comercial são digitais, evitando que os empreendedores precisem visitar diferentes órgãos, como Receita Federal e Corpo de Bombeiros.
Essa integração permite que, a partir de um só registro, sejam gerados automaticamente o CNPJ, as inscrições estadual e municipal e, se necessário, o alvará de funcionamento. Essa mudança visa reduzir erros, retrabalhos e custos operacionais.
Incentivos Fiscais e Competitividade
O contador Bruno Ribeiro menciona que o Espírito Santo está se firmando como um polo atrativo para novos negócios. A digitalização e a integração via RedeSim e Simplifica-ES têm transformado a dinâmica do empreendedorismo no estado. “A formalização agora é mais rápida e segura”, ressalta.
Ele também destaca os incentivos fiscais, como os programas Investe-ES e Compete-ES, que fortalecem a competitividade das empresas, especialmente de médio e grande porte. “Esses programas ajudam a atrair investimentos e gerar empregos, promovendo o desenvolvimento regional”, conclui.
Riscos Mesmo em um Cenário Favorável
Apesar da facilidade na formalização, o contador Bruno Ribeiro adverte que a abertura rápida de empresas não elimina os riscos. Muitos negócios fecham devido a falhas na gestão nos primeiros meses. Em um ambiente com juros altos e custos elevados, a falta de planejamento financeiro pode ser fatal.
Problemas de controle financeiro são comuns. O uso indevido de crédito, como cartão de crédito e cheque especial, pode resultar em uma gestão financeira deficitária. “O que leva uma empresa à falência, em muitos casos, é a falta de caixa”, alerta Bruno. Além disso, o desconhecimento sobre obrigações fiscais continua a ser um obstáculo significativo para muitos novos empreendedores.
Investimentos e Velocidade na Abertura de Empresas
O secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Rogério Salume, enfatiza que o estado tem investido continuamente em tecnologia para agilizar os processos. Agora, abrir uma empresa no Espírito Santo pode levar de 15 a 24 horas. Essa velocidade é estratégica para atrair novos negócios, especialmente quando comparada a outros estados onde o processo pode levar meses. Salume afirma que iniciativas como o Compete-ES e Investe-ES atendem empresários em diferentes estágios de desenvolvimento, contribuindo para um ambiente de negócios favorável.
