Investigação Revela Abusos em Escolas do Espírito Santo
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu, na última quinta-feira (8), um professor de 46 anos, acusado de assediar sexualmente seus alunos. O homem é suspeito de ter aliciado estudantes, oferecendo notas melhores e até dinheiro em troca de imagens de conteúdo íntimo.
As investigações surgiram a partir de denúncias em pelo menos duas cidades da Grande Vitória, Serra e Vila Velha. As vítimas identificadas até o momento são crianças e adolescentes do sexo masculino, com idades variando entre 10 e 16 anos, o que levanta uma preocupação significativa sobre a segurança dos jovens nas instituições de ensino.
As apurações começaram em novembro de 2024, quando uma mãe procurou a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) após a escola de seu filho relatar comportamentos suspeitos do professor. A partir dessa denúncia, a polícia conseguiu identificar um segundo caso no município de Vila Velha, envolvendo mais quatro vítimas.
A delegada Thais Cruz, responsável pela investigação, esclareceu que o professor utilizava sua posição de autoridade para abordar estudantes com baixo rendimento escolar. “Ele selecionava adolescentes e oferecia vantagens acadêmicas em troca de fotos íntimas”, destacou. Mensagens analisadas mostraram que o investigado pedia apenas o nome do aluno na prova, enquanto ele cuidava do resto, exigindo, em troca, imagens de natureza sexual.
A abordagem inicial acontecia dentro das escolas, em momentos como intervalos e recreios. Após o horário escolar, o professor mantinha contato com as vítimas por meio de redes sociais. Em determinado momento, deixou de oferecer notas e começou a fazer pagamentos pelas imagens, utilizando transferências via Pix que variavam entre R$10 e R$50.
Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares e outros dispositivos eletrônicos do professor. A análise desse material revelou uma quantidade alarmante de conteúdo relacionado a abuso sexual infantil e adolescente. Os arquivos estavam organizados de forma sistemática, com pastas identificadas por iniciais de escolas e vítimas, além de uma pasta chamada “ex-alunos”, que continha imagens de adolescentes ainda não identificados.
A polícia investiga também relatos de violência sexual com contato físico. Um adolescente de 12 anos relatou ter sido tocado pelo professor no banheiro da escola durante o intervalo. Após esse incidente, o professor teria intimidado o aluno, afirmando conhecer o endereço da família e exigindo que o garoto acessasse sites de pornografia infantil, solicitando, posteriormente, um retorno sobre o conteúdo que deveria visualizar.
O delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda, ressaltou a gravidade da situação, mesmo na ausência de violência física direta. “Embora não haja agressão física nesse comportamento, a violência psicossocial é extremamente séria. O impacto na paz de espírito dessas crianças e adolescentes será duradouro. Queremos que esse indivíduo seja punido com a pena máxima”, afirmou.
O professor atuava como substituto nas redes municipais de ensino de Serra e Vila Velha desde 2023 e também se apresentava como músico. Segundo a polícia, ele usava essas atividades para conquistar a confiança dos jovens. Apesar de passar apenas poucos meses em cada escola, os investigadores constatam que ele deixava um rastro de vítimas em sua trajetória.
O suspeito se manteve foragido ao longo de 2025 e foi localizado após uma operação de inteligência que contou com o apoio da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra e da Guarda Municipal. Ele foi preso no dia 8 de janeiro, levado à DPCA e, durante o interrogatório, optou por permanecer em silêncio, exercendo seu direito constitucional. Posteriormente, foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
