Divisões e Desafios na Oposição
O ano de 2025 promete ser desafiador para a oposição de direita no Espírito Santo, que se encontra fragmentada em sua tentativa de fortalecer uma frente unificada contra a administração do governador Renato Casagrande (PSB) nas próximas eleições. Em meio a essa busca por união, duas figuras proeminentes, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o senador Magno Malta (PL), parecem distantes de um consenso que poderia consolidar uma aliança eficaz.
O Partido Liberal, sob a liderança de Magno Malta, tem como prioridade a formação de um palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou outro candidato que os bolsonaristas escolherem para a corrida presidencial. No entanto, a postura de Pazolini, que mesmo com gestos em direção a pautas da extrema direita, como a defesa da anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023, se mantém em um território cauteloso, dificultando a criação de uma aliança mais robusta.
Reavaliação de Estratégias do PL
Após as eleições de 2024, em que o PL lançou 50 candidatos a prefeituras e elegeu apenas cinco, o partido parece ter iniciado uma reavaliação de sua estratégia para formar alianças mais abrangentes. Entretanto, sinais de isolamento ameaçam a sigla, evidenciando um risco de perda de influência no cenário político estadual.
O deputado estadual Callegari, que migrou do PL para o Democracia Cristã (DC) após ver suas aspirações de candidatura ao Senado frustradas com a escolha de Maguinha Malta, filha de Magno, como a representante do partido, criticou em suas redes sociais a falta de democracia interna no PL, referindo-se à situação como o “calcanhar de Aquiles” dos partidos de direita.
Mesmo quando Magno Malta reconheceu o resultado ruim do PL nas eleições de 2024, argumentou que muitos dos candidatos derrotados se preparariam para futuras disputas em 2026. No entanto, a instabilidade persiste, com alguns desses candidatos já se afastando do partido.
Movimentações Políticas e Candidaturas Emergentes
Entre os nomes que podem sair do PL está Léo Camargo, ex-vereador de Cachoeiro de Itapemirim, que obteve um bom desempenho na última eleição e agora é considerado pré-candidato a deputado federal por outro partido. A expectativa é que o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, também pré-candidato a deputado federal, busque atrair Camargo para o União Brasil, fortalecendo a chapa da legenda e competindo com o deputado Dr. Bruno Rezende, que planeja trocar o União pelo Podemos na corrida ao Congresso Nacional.
Ademais, prefeitos eleitos pelo PL em 2024 que optaram por não seguir a estratégia de chapas “puro-sangue” podem também migrar para outras siglas em 2026. O prefeito de Muqui, Sérgio Luiz Anequim, conhecido como Camarão, manifestou apoio à pré-candidatura do emedebista Ricardo Ferraço ao governo, enquanto o secretário de Meio Ambiente de Vitória, Coronel Ramalho, abandonou o PL em busca de uma candidatura pelo Republicanos.
Desafios e Oportunidades para o PL
Os desafios do PL ainda aumentam com a situação do deputado federal Gilvan da Federal, condenado por violência política de gênero, que pode ser declarado inelegível. Essa possibilidade representaria uma perda significativa de votos e apoio para a sigla no cenário nacional.
Por outro lado, o partido que mais se aproxima do PL é o Novo, que vislumbra uma aliança nacional em que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, poderia ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Recentemente, o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo), que se apresenta como pré-candidato ao Senado, também interagiu com Magno e Maguinha em um contexto de articulação política, embora essa interação tenha esfriado.
Possíveis Candidaturas e Novas Perspectivas
Monjardim, que se destaca na Câmara de Vitória em termos de produtividade legislativa, tem tentado construir sua imagem como uma opção viável ao Senado. Em busca de apoio, o vereador até anunciou uma reconciliação com Carlos Manato, com o objetivo de unir forças para as eleições de 2026.
Enquanto isso, o Partido Social Democrático (PSD), sob a liderança do prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, e com o apoio do ex-governador Paulo Hartung, também busca consolidar uma plataforma eleitoral sólida. Há rumores de uma candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado, além da possibilidade de que o PSD lance sua própria candidatura ao governo, o que poderia mudar completamente o cenário atual.
Com uma série de movimentações e mudanças de alianças, o cenário político do Espírito Santo se mostra dinâmico e repleto de incertezas. A divisão entre os partidos de direita, somada às articulações dos partidos de esquerda, promete um conturbado processo eleitoral em 2026.
