Ações Judiciais do PT na Esteira da Prisão de Maduro
A recente prisão de Nicolás Maduro gerou uma onda de discussões nas redes sociais brasileiras, com mais de 83 milhões de interações refletindo a polarização política. Em um cenário onde a direita se destaca, a resistência do PT se manifesta através de ações judiciais contra políticos que associaram o partido e o ex-presidente Lula ao narcotráfico.
Nesta terça-feira, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que lidera o PT na Câmara, protocolou uma representação na Polícia Federal (PF) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Lindbergh argumenta que o parlamentar deveria ser punido por traição e por agir contra a soberania nacional ao normalizar a intervenção militar dos EUA no Brasil. O líder petista também mencionou as atuações de outras figuras políticas, como o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que, segundo ele, têm feito declarações que favorecem a intromissão estrangeira.
Lindbergh destacou que a ação também se fundamenta nas tentativas de Eduardo Bolsonaro de promover sanções contra a Venezuela, onde Maduro enfrenta sérias acusações, incluindo narcoterrorismo. O deputado lembrou que Eduardo é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação, em um caso que envolve tentativas de intimidar a Corte durante um processo judicial sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda em sua fala, Lindbergh mencionou Flávio Bolsonaro, que recentemente sugeriu um ataque militar dos EUA a uma embarcação supostamente envolvida no tráfico de drogas. O deputado comentou: “Vocês são vira-latas, querem que o Brasil seja uma colônia dos EUA. Não vamos ceder a essa pressão e continuaremos a defender a democracia”.
Críticas e Controvérsias na Política Paulista
Além disso, o PT também decidiu processar o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que, em comentários sobre a crise de imigração de venezuelanos, descreveu o partido como “narcoafetivo”. Ramuth, ao falar sobre o êxodo de imigrantes, sugeriu que muitos dos que estão na fronteira poderiam retornar ao seu país, onde teriam a chance de desfrutar de liberdade em um estado que, segundo ele, não estaria sob o controle do narcotráfico.
“O partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo”, afirmou Ramuth em suas declarações, que geraram reações imediatas do PT. O partido já havia ingressado com uma ação judicial contra o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) por danos morais, devido a um vídeo que associava o PT e Lula ao tráfico de drogas. Bilynskyj, em suas postagens, afirmou que Maduro “deveria ser preso”, ressaltando uma foto de Lula junto ao ditador venezuelano.
Os advogados do PT alegam que a divulgação desse conteúdo é difamatória e carece de qualquer fundamento factual, especialmente em um período tão sensível como o pré-eleitoral, onde a narrativa se propaga com grande velocidade nas redes sociais.
Reações de Nikolas Ferreira e Outros Políticos
Na segunda-feira, o deputado Reimont (PT-RJ) já havia solicitado a prisão de Nikolas, alegando que o parlamentar teria sugerido a invasão da Venezuela como forma de sequestro do presidente brasileiro. Reimont também pediu a remoção de conteúdos publicados pelo deputado e bloqueio de suas redes sociais. A situação atraiu a atenção de outros políticos, como o ex-presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e Ivan Valente (PSOL-SP), que também acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) em resposta aos comentários de Nikolas.
Em uma reação polêmica, Nikolas defendeu suas postagens como sendo apenas uma brincadeira e afirmou que aceitaria uma intervenção externa no Brasil para que os criminosos fossem responsabilizados. “Se a prisão desses criminosos vier por meio de uma intervenção externa, não posso contestar”, declarou.
Após ser questionado pela imprensa sobre suas declarações, Nikolas enfatizou que sua postagem era um meme, mas admitiu que a necessidade de que os criminosos paguem pelos seus crimes é uma questão séria. Ele também criticou a ideia de que intervenções militares de outros países são aceitáveis, lembrando que Maduro desafiou o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, criando um precedente perigoso.
