Espírito Santo assume topo da indústria nacional
O Espírito Santo registrou um crescimento expressivo de 17,7% na produção industrial nos primeiros oito meses de 2026, superando amplamente a média nacional de 0,8%. Esse desempenho colocou o estado à frente de polos industriais tradicionais, como Pernambuco, que cresceu 13,9%, e Mato Grosso do Sul, com alta de 7,1% no mesmo período. Os dados, extraídos da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Observatório Findes, refletem o vigor do setor extrativo e a expansão da indústria de transformação no Espírito Santo.
Setor extrativo impulsiona crescimento com alta de 26,5%
A indústria extrativa foi o principal motor deste avanço, apresentando incremento acumulado de 26,5% até agosto. A extração de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro foi determinante para esse resultado, tanto nas operações marítimas quanto em terra. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo atingiu 252,9 mil barris diários, um aumento de 40,4% em relação ao mesmo período de 2025. Já a extração de gás natural cresceu 57,6%, alcançando 7,2 milhões de metros cúbicos por dia.
O desempenho da operação offshore foi particularmente destacado, com crescimento de 58,2%. Destacam-se ativos estratégicos da bacia capixaba, como o FPSO Maria Quitéria, que operou com média de 68,6 mil barris diários (68,6% da capacidade instalada) e produziu 2,7 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente, correspondente a 54,9% da capacidade total. O Campo de Jubarte apresentou aumento de 53,6% na produção, enquanto o Campo de Wahoo (PRIO) alcançou média de 29,8 mil barris por dia entre março e agosto, com avanço de 20,6% no acumulado anual. Em terra, a produção industrial também teve desempenho positivo, crescendo 11,1% no período.
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Indústria de transformação cresce 4%, puxada pela metalurgia
Além do setor extrativo, a indústria de transformação no Espírito Santo avançou 4% de janeiro a agosto de 2026. Segmentos como metalurgia e produtos de minerais não metálicos impulsionaram esse crescimento, com alta de 2% e 1,6%, respectivamente. O fortalecimento da metalurgia está associado à demanda externa. As exportações capixabas de produtos siderúrgicos somaram cerca de US$ 1 bilhão, equivalente a aproximadamente R$ 5 bilhões, nos primeiros oito meses, representando aumento de 21,6% em relação a 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Marília Silva, economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, destaca que esse movimento está relacionado ao redirecionamento das vendas para mercados europeus como França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália.
Desafios na celulose e alimentos impactam produção
Nem todos os setores acompanharam o ritmo positivo. A produção industrial de alimentos recuou 2,9%, e o segmento de celulose, papel e produtos de papel registrou queda de 5,7%. Marília Silva explica que o desempenho negativo da celulose está ligado a fatores internacionais e internos. A redução da demanda no mercado chinês, dificuldades logísticas e incertezas econômicas globais afetaram o setor. Além disso, a Suzano anunciou em agosto de 2025 uma redução planejada de 3,5% na produção para um ciclo de 12 meses. No terceiro trimestre de 2026, a empresa realizou uma manutenção programada na Linha C da fábrica de Aracruz (ES), a maior da planta, com capacidade anual de 920 mil toneladas, maior que as linhas A e B, que possuem capacidade de 590 mil e 830 mil toneladas, respectivamente.
Potencial de crescimento e desafios à frente
Para Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), liderar o crescimento industrial nacional reforça o papel estratégico do estado na economia brasileira. Ele ressalta que o desafio agora é ampliar esses resultados, atrair novos investimentos e expandir o crescimento para todos os segmentos produtivos. O avanço da indústria de transformação, segundo Baraona, é fundamental para agregar valor à produção local, diversificar a economia e gerar empregos qualificados para os capixabas. A força do setor extrativo, especialmente petróleo, gás e minério, combinada com a atuação da metalurgia, mantém o Espírito Santo na vanguarda da indústria nacional, mesmo diante dos desafios que setores como celulose enfrentam.
